RIO DE JANEIRO — A Polícia Civil do Rio de Janeiro abriu investigação sobre a abordagem do streamer GH Rell RJ contra o ator João Victor Gonçalves, que foi filmado e seguido durante uma transmissão ao vivo a caminho do Rock in Rio. O canal usado pelo influenciador na plataforma Kick também deixou de estar disponível.
A apuração está sob responsabilidade da Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi), que busca identificar os envolvidos e verificar se houve crime. A investigação começou depois que imagens da transmissão circularam nas redes sociais, mesmo sem um registro formal feito pelo ator naquele momento.
Na noite de sexta-feira (4), João Victor seguia para o festival após um dia de gravações e tinha um compromisso de trabalho no evento. Na live, GH aparece com outros homens, filma o ator, faz comentários sobre a roupa dele e caminha atrás do grupo. João Victor não reage e acelera o passo.
Em vídeo publicado depois, o ator classificou o episódio como uma agressão homofóbica. Ele disse que temia que a abordagem evoluísse para violência física ou roubo e afirmou: “Homofobia não é entretenimento”. João Victor interpreta Mau Mau na novela Quem Ama Cuida, personagem que enfrenta situações de homofobia dentro da família.
Repercussão e medidas
Neste domingo (6), a página de GH na Kick exibia a mensagem “Channel Not Found”. O perfil foi banido, mas a plataforma ainda não divulgou uma explicação pública sobre a medida ou os critérios adotados.
A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) acionou o Ministério Público do Rio de Janeiro. Na representação, pediu a investigação dos streamers envolvidos e da Kick, além de providências sobre a segurança no entorno do Rock in Rio e a responsabilização financeira dos envolvidos.
GH publicou um pedido de desculpas e disse que costuma abordar pessoas durante transmissões nas ruas para produzir conteúdo. O streamer negou preconceito e afirmou que riu de forma forçada para gerar entretenimento, mas manteve as críticas à roupa do ator.
A organização do Rock in Rio repudiou violência, assédio, discriminação e preconceito. O festival afirmou que a abordagem ocorreu fora do perímetro de sua segurança privada e que as áreas públicas no entorno são responsabilidade dos órgãos de segurança.
Desde 2019, o Supremo Tribunal Federal enquadra condutas homofóbicas e transfóbicas nos tipos previstos na Lei do Racismo enquanto não há legislação específica aprovada pelo Congresso. A Decradi vai avaliar se o episódio se enquadra criminalmente nesse entendimento.



