O conflito entre os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça e Alexandre de Moraes é o assunto político de maior destaque do ano nas redes sociais, aponta levantamento do Democracia em Xeque. O episódio é o único da série histórica a superar 1 milhão de publicações em um único dia, com 1.123.533 registros.
O volume supera as discussões sobre as investigações do inquérito Dark Horse, que somaram 911 mil publicações, e sobre a condenação de Jair Bolsonaro, com 756 mil. Em 72 horas, o caso acumulou mais de 2,3 milhões de menções, também o maior resultado da série histórica.
“A tração manteve-se acelerada no acumulado de 72 horas, isolando o episódio no topo do painel com mais de 2,3 milhões de menções”, afirma o documento. O episódio também alcançou o segundo maior pico horário da série, atrás do registrado durante a definição da dosimetria da pena de Jair Bolsonaro, em setembro de 2025.
Como o debate mudou
De acordo com a análise, o eixo das discussões passou a se concentrar no conflito entre os ministros no dia 3, a partir das 20h. A mudança ocorreu após a acusação de Moraes sobre suposto abuso de autoridade cometido por Mendonça.
Entre os temas que ganharam espaço estão alegações de instabilidade judicial e de “fim do STF”, críticas a relatórios de inteligência usados por Moraes, a declaração de Luiz Inácio Lula da Silva sobre “vazamentos seletivos” e o pedido da Procuradoria-Geral da República para anular um relatório da Polícia Federal sobre Moraes e Daniel Vorcaro.
Também aparecem nas discussões a acusação de que a ação de Moraes seria um “ato de retaliação”, o pedido de Mendonça a Fachin para afastar Moraes, a mobilização por manifestações no 7 de setembro e uma greve de caminhoneiros em apoio a Mendonça. Perfis de direita ainda criticam a inclusão de Mendonça no “Inquérito das Fake News”.
No dia 4, o conflito continuou no centro do debate digital. As menções a André Mendonça, em alguns momentos, superaram as citações a Alexandre de Moraes.
A base de observação reúne mais de 19 mil perfis de políticos, influenciadores e veículos de mídia no Facebook, Instagram, YouTube, X e TikTok. O relatório também usa dados da ferramenta Talkwalker.



