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Afastamento de diretor da PF por ministro do STF divide especialistas

Decisão de André Mendonça afasta a cúpula da PF e aguarda julgamento da Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal.

Afastamento de diretor da PF por ministro do STF divide especialistas

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), afastou o diretor-geral da Polícia Federal (PF) por decisão monocrática. A medida entrou em vigor imediatamente e, segundo especialistas, é inédita por atingir a cúpula da corporação sem pedido prévio da Polícia Federal ou da Procuradoria-Geral da República (PGR).

A Segunda Turma formou maioria para manter o afastamento, com votos de Luiz Fux e Kassio Nunes. O julgamento, porém, está suspenso após pedido de vista de Gilmar Mendes. Até a conclusão da análise, a decisão continua valendo.

Questionamentos sobre o procedimento

Marcelo Peruchin, advogado e pós-doutor em Democracia e Direitos Humanos, afirma que a decisão contraria a divisão de funções prevista no sistema processual acusatório. Nesse modelo, o Ministério Público apresenta a acusação e pede as sanções, enquanto o juiz julga.

Para Peruchin, o afastamento também chama atenção por ter sido determinado por iniciativa do próprio ministro, a partir de uma petição do Partido Novo e sem a oitiva prévia da PGR. Lucas Paulino, professor de Direito Administrativo da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), classifica essa base como “bastante problemático do ponto de vista procedimental”.

Mendonça fundamentou a medida em um suposto monitoramento contra ele e nos relatórios produzidos pela PF, que classificou como um “nada jurídico”. O ministro também citou o Código de Processo Penal e o estatuto interno da corporação, além de determinar que a Corregedoria abra Processo Administrativo Disciplinar.

Horácio Neiva, doutor e Mestre em Filosofia e Teoria Geral do Direito pela Universidade de São Paulo (USP), avalia que os argumentos poderiam justificar a anulação dos relatórios, mas não o afastamento do diretor-geral. Para ele, a decisão tem fundamentação frágil e genérica e não aponta de forma concreta que Andrei teria ordenado o monitoramento de Mendonça.

Comando interino da PF

Após o cumprimento da decisão, a gestão interina da Polícia Federal passou ao diretor-executivo William Murad, que ocupava o segundo posto na hierarquia da corporação. O Palácio do Planalto ainda não decidiu se ele permanecerá no cargo de diretor-geral.

Os diretores do primeiro escalão da gestão de Andrei Rodrigues divulgaram uma nota de apoio ao afastado e colocaram os próprios cargos à disposição do substituto. Helena de Rezende, diretora de gestão de pessoas, também é citada como nome cotado para a direção-geral. Se escolhida, será a primeira mulher a comandar a corporação.

Os especialistas afirmam que o afastamento só pode ser suspenso por uma nova decisão, como um ato de sobrestamento da presidência do STF. Edson Fachin, na condição de presidente da Corte, poderia anular a decisão de Mendonça ou levar o caso ao plenário para uma deliberação coletiva.

Texto produzido pela Redação Fato em Curso com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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