Mensagens trocadas por agentes da Polícia Federal apontam uma suposta articulação entre setores ligados à Lava Jato e o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, para afastar Andrei Rodrigues da direção-geral da corporação e Leandro Almada da Costa da direção de Inteligência.
A decisão foi tomada por Mendonça em ato de ofício. Nesta terça-feira (8), Luiz Fux e Kássio Nunes adiantaram votos e formaram maioria para validar a medida, antes do pedido de vista de Gilmar Mendes.
Os agentes afirmam que Mendonça buscou apoio de uma ala lavajatista da PF. As mensagens foram trocadas em grupos de WhatsApp que reúnem policiais federais e não são reproduzidas literalmente para preservar as fontes.
Relatórios citados na decisão
Na fundamentação, Mendonça menciona declarações de Edvandir Felix de Paiva, presidente da Associação de Delegados da Polícia Federal, sobre seis relatórios que o setor de inteligência da PF teria produzido a respeito do ministro.
Segundo a decisão, os documentos indicariam que Mendonça era monitorado havia mais de 30 dias. O texto também afirma que Alexandre de Moraes teria informado sobre a existência dos relatórios ao pedir a inclusão do próprio nome no Inquérito das Fake News. O pedido foi rejeitado pelo presidente do STF, Edson Fachin.
Mendonça escreveu que, além da produção considerada ilícita, a existência dos documentos teria sido comunicada a outro ministro para permitir a inclusão dele no inquérito.
O ministro também citou declarações de Paiva à imprensa, nas quais o presidente da associação classificou como irregular o conhecimento dos relatórios por pessoas de fora da PF e seu uso em um processo criminal. Paiva afirmou que seria necessário investigar como um ministro do STF tomou conhecimento da produção dos documentos.
Nas conversas, agentes identificam Paiva como integrante da ala ligada à Lava Jato. Eles mencionam que o presidente da associação condecorou Sergio Moro com a Medalha do Mérito Tiradentes em agosto de 2018 e defendeu a indicação técnica do ex-juiz para o Ministério da Justiça do governo Jair Bolsonaro.
Os policiais também citam entrevistas concedidas por Paiva na semana passada. Para eles, o episódio expõe a divisão interna da PF a menos de um mês do primeiro turno das eleições presidenciais.
A Associação de Delegados da Polícia Federal ainda não havia se manifestado até o fechamento do texto. O espaço permanece aberto para posicionamento da entidade e de seu presidente.



