O Itaú BBA mudou três posições de sua carteira recomendada para setembro, com foco em empresas menos expostas ao crédito ao consumidor e à economia brasileira. Nubank, Sabesp e Bradesco saíram da seleção; BTG Pactual, Eneva e Suzano entraram no lugar.
A decisão ocorre após um agosto de maior pressão sobre a Bolsa brasileira. Investidores estrangeiros retiraram aproximadamente R$ 18,5 bilhões do mercado no mês, enquanto o Ibovespa terminou o período com queda de 0,3%, depois de acumular perda de 6,5% até o dia 18.
Empresas incluídas
O BTG Pactual substitui o Nubank diante das preocupações com o endividamento das famílias, os juros elevados e o possível aumento da inadimplência no crédito ao consumidor. A escolha mantém a presença do setor financeiro, mas privilegia uma instituição com atuação em banco de investimento, crédito corporativo, negociação de ativos, gestão de recursos e gestão de patrimônio.
Na avaliação do Itaú BBA, o BTG reúne crescimento consistente dos lucros, rentabilidade elevada e revisões positivas de resultados, mesmo em um ambiente mais difícil para os bancos de varejo. A diversificação das receitas reduz a dependência direta do consumo das famílias.
A Eneva ocupa a vaga da Sabesp. O banco aponta maior previsibilidade de resultados, apoiada pelo avanço das receitas contratadas. Entre os possíveis impulsionadores da companhia estão o acionamento de usinas termelétricas, a comercialização de gás e energia, novos projetos no leilão de reserva de capacidade e a flexibilização operacional de ativos.
A Suzano entra no lugar do Bradesco e acrescenta à carteira uma empresa com vendas concentradas no exterior e receitas em dólar. Para o Itaú BBA, essa característica reduz a correlação com a atividade doméstica e oferece proteção parcial contra riscos fiscais, cambiais e eleitorais. Mesmo com os preços da celulose pressionados, a instituição vê múltiplos descontados e geração de caixa atrativa.
Pressões sobre o mercado
O Itaú BBA afirma que os fundamentos individuais das empresas perderam espaço diante das condições globais e macroeconômicas. Cerca de 85% dos balanços do segundo trimestre ficaram em linha ou acima das projeções da instituição, mas 52% das ações caíram no pregão seguinte à divulgação.
No exterior, as tensões no Oriente Médio mantiveram o petróleo em níveis elevados, enquanto a alta dos juros dos títulos de longo prazo dos Estados Unidos refletiu dúvidas sobre a trajetória da dívida pública norte-americana. O avanço da inteligência artificial também direcionou parte dos recursos dos mercados emergentes para Taiwan e Coreia do Sul, que concentram fabricantes de chips e memória.
No Brasil, a eleição e as incertezas fiscais reduziram o interesse estrangeiro. O corte da Selic para 14% ao ano e a desaceleração da inflação trouxeram algum alívio, e o cenário-base do Itaú BBA prevê nova redução de 0,25 ponto percentual em setembro. Ainda assim, o fluxo externo, a disputa eleitoral e os juros internacionais continuam influenciando o mercado.
Em agosto, a carteira Top 5 recuou 0,7%, resultado 0,4 ponto percentual abaixo do Ibovespa. No acumulado de 2026, a seleção avançou 1,9%, contra 10,1% do índice. Desde janeiro de 2016, a carteira acumula valorização de 1.197%, ante 342% do Ibovespa.



