O Itaú BBA mantém a recomendação de compra para as ações da Plano&Plano (PLPL3) e estima preço-alvo de R$ 15 nos próximos 12 meses. Com base na cotação de R$ 6,51 usada pelo banco, o potencial de valorização chega a 130,4%.
A avaliação foi reforçada após uma reunião de analistas com Rodrigo Luna, presidente do conselho de administração da construtora, e Eduardo Cerri, diretor de relações com investidores. Para o banco, a recuperação da execução operacional pode reduzir o desconto aplicado aos papéis, que negociam a 2,8 vezes o lucro estimado para 2027.
Margens e expansão
A recuperação das margens é um dos principais fatores que podem impulsionar a ação. A administração prevê uma melhora gradual da margem bruta em direção a 35%, apoiada pelos projetos mais recentes. Esses empreendimentos devem substituir os lançamentos antigos, que ainda têm descontos comerciais e custos de construção mais elevados.
A Plano&Plano também redesenha projetos e aproxima sua estratégia comercial das práticas de concorrentes, com expectativa de acelerar as vendas no médio prazo. A empresa pretende ampliar a operação em Goiânia, mercado considerado menos competitivo do que São Paulo.
O banco ainda aponta sinais de maior estabilidade nos custos de construção e espera alguma desaceleração nos próximos meses.
Concorrência e lançamentos
O mercado de habitação popular em São Paulo ficou mais disputado. Entre 2020 e 2023, os lançamentos anuais do Minha Casa, Minha Vida na capital paulista giravam em torno de 30 mil unidades. Nos últimos 12 meses, o volume chegou a aproximadamente 90 mil unidades.
A Plano&Plano lançou R$ 2,8 bilhões em projetos no segundo semestre de 2025, mas as vendas ficaram abaixo do esperado. Para controlar os estoques, a construtora passou a conceder descontos, o que ajudou a comercialização, mas pressionou as margens.
Diante desse cenário, a companhia abandonou a projeção de crescimento entre R$ 500 milhões e R$ 1 bilhão nos lançamentos. A intenção agora é manter o volume próximo ao observado em 2025, com foco em projetos maiores e na recuperação da rentabilidade.
O Itaú BBA também cita a postura mais seletiva da Caixa Econômica Federal na aprovação de financiamentos habitacionais. Segundo o banco, os clientes da Plano&Plano ainda não foram submetidos às novas entrevistas adotadas durante a análise de crédito.
A valorização projetada depende da capacidade da construtora de transformar as mudanças comerciais em vendas mais rápidas, margens melhores e recuperação da geração de caixa.



