Santos, Quarta-feira, 30 de setembro de 2026
Dólar R$ 5,22 · Euro R$ 5,92 · Ibovespa 183.828 -0,00% Santos 23°C 22° / 27°
Notícia a toda hora
Economia

Kinea aponta juros como principal desconto da bolsa e recomenda carteira equilibrada

Gestora vê potencial de alta para ações com queda dos juros, mas condiciona avanço a uma agenda fiscal no próximo governo.

Kinea aponta juros como principal desconto da bolsa e recomenda carteira equilibrada
Foto: Kinea/Divulgação

A Kinea avalia que o desconto da bolsa brasileira está mais ligado ao nível elevado dos juros do que à qualidade das empresas listadas. Em relatório divulgado nesta quinta-feira, 17, a gestora afirma que uma eventual queda dos juros reais pode elevar o valor das ações, desde que acompanhada por uma agenda fiscal no próximo governo.

O Ibovespa é negociado próximo de oito vezes os lucros projetados, abaixo da média histórica de cerca de dez vezes. O juro real de longo prazo está perto de 8% ao ano, nível que reduz o valor presente dos fluxos de caixa e pressiona os resultados de empresas domésticas mais endividadas. “O desconto não está nas ações, está nos juros”, afirma a equipe de pesquisa da Kinea.

A gestora também destaca o desempenho limitado dos lucros corporativos. Em dólar, o lucro projetado das companhias está 36% abaixo do nível de 2010.

Eleições e estratégia de carteira

A Kinea estima que uma sinalização de controle fiscal capaz de reduzir o juro real de longo prazo de cerca de 8% para 7% poderia provocar uma reprecificação relevante das ações. Em uma simulação de queda de 100 pontos-base, a alta estimada no valor presente dos papéis fica entre 10% a 15%.

O cenário oposto também é considerado: uma deterioração fiscal poderia levar o juro real de longo prazo para perto de 9% e pressionar novamente os preços dos ativos. Juros menores, por outro lado, tendem a favorecer múltiplos, crédito, consumo e resultados corporativos, conforme a avaliação da gestora.

Diante da incerteza eleitoral, a Kinea recomenda estruturar a carteira antes da definição do próximo governo. A composição combina empresas menos dependentes do ciclo de juros, especialmente utilities e companhias ligadas ao Minha Casa, Minha Vida, com setores mais sensíveis à queda das taxas, como bancos, varejo e parte da indústria.

Para as construtoras voltadas ao programa, a gestora considera a geração de caixa, os dividendos e a perspectiva de crescimento, sustentada pelas condições subsidiadas de financiamento com recursos do FGTS. A avaliação é que a continuidade do programa em diferentes governos reduz a dependência da estratégia em relação a uma administração específica. Ainda assim, a valorização da bolsa depende de mudanças fiscais capazes de reduzir de forma sustentável o custo de financiamento do país.

Texto produzido pela Redação Fato em Curso com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

Assine nossa newsletterAs principais notícias do dia no seu e-mail.