O Bank of America (BofA) avalia que o mercado subestima a disposição do Federal Reserve (Fed) de elevar os juros nos Estados Unidos. Para os estrategistas Mark Cabana e Meghan Swiber, a taxa pode superar 5% ao ano e chegar a 5,50% no atual ciclo de altas.
Na última quarta-feira (16), o Fed elevou os juros em 0,25 ponto percentual, para a faixa entre 3,75% e 4,00% ao ano. O mercado futuro, porém, projeta um teto entre 4,50% e 4,75%.
A análise do BofA considera declarações do presidente do Fed, Kevin Warsh, de que a alta recente apenas retirou parte da acomodação da política monetária. A avaliação indica que a autoridade ainda não considera os juros restritivos o suficiente para conter a inflação.
Outro argumento citado pelos estrategistas é a Regra de Taylor, fórmula que calcula uma taxa ideal com base no desvio da inflação e do Produto Interno Bruto (PIB). Pela métrica, os juros americanos deveriam estar em cerca de 5,3%.
O BofA também projeta que o rendimento dos Treasurys de dois anos suba para 5% neste ano. Na sexta-feira (18), o yield desses papéis estava próximo de 4,75%.
A projeção da divisão de estratégia diverge da estimativa de Aditya Bhave, economista-chefe do BofA para os Estados Unidos. Ele prevê mais duas altas de 0,25 ponto percentual neste ano, em outubro e dezembro, e estabilidade da taxa em 2027.
Efeitos para o investidor brasileiro
Juros americanos mais altos ou mantidos nesse nível podem afetar os investimentos no Brasil por meio do dólar, da inflação, da Selic e da migração de recursos para a renda fixa dos Estados Unidos.
Os títulos do Tesouro americano são tratados como ativos de segurança. Com rendimentos maiores em dólar, o capital global tende a deixar mercados emergentes e buscar os Estados Unidos. A saída de dólares do Brasil valoriza a moeda americana ante o real, encarece produtos importados e pressiona a inflação doméstica.
Nesse cenário, o Banco Central do Brasil precisa manter a Selic em patamares atraentes para conter a fuga de recursos e a inflação importada. A alta dos juros nos Estados Unidos também reduz o espaço para cortes da taxa básica e prolonga o crédito caro no país.
Com rendimentos próximos de 5% ao ano nos Estados Unidos, os ativos de risco perdem atratividade. O Ibovespa pode sofrer com a retirada de capital estrangeiro, enquanto empresas brasileiras enfrentam custo de capital maior, com pressão sobre ações e fundos imobiliários.
Para o investidor local, a avaliação reforça a cautela com papéis de renda variável de empresas endividadas e a atratividade de títulos de renda fixa atrelados à inflação ou pós-fixados.




