Luis Stuhlberger, fundador e CIO da Verde Asset, afirma que mantém posições de longo prazo em dólar como proteção contra um eventual agravamento dos riscos fiscais e institucionais no Brasil. A avaliação foi apresentada em um evento da Monte Bravo nesta semana.
O gestor considera que o risco não se limita à valorização ou à queda da moeda norte-americana. Em um cenário de crise mais aguda, futuros governos poderiam adotar medidas de controle cambial, elevar tributos sobre operações com moeda estrangeira ou restringir a conversão de reais em dólares.
Stuhlberger citou o aumento do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) e o risco de convertibilidade, embora tenha afirmado que essas medidas não estão no horizonte atual. “Se tiver uma crise em que o governo diminua o juro na marra, fique desesperado e te impeça de comprar dólar, jogue o IOF em 10%. São situações em que vale ter um seguro”, disse.
Exposição internacional
Para o gestor, investir no exterior funciona principalmente como proteção patrimonial, e não apenas como estratégia para buscar retornos maiores. Ele afirmou que se sentiria confortável com uma parcela entre 30% e 50% do patrimônio fora do Brasil, mas ressaltou que a proporção depende da realidade de cada investidor.
Na avaliação de Stuhlberger, os brasileiros concentram patrimônio no próprio país em imóveis, empresas e aplicações financeiras. Ele também mantém exposição a ações norte-americanas: cerca de 9% dos recursos da Verde Asset estão alocados nesse mercado há bastante tempo.
O gestor descreveu os Estados Unidos como uma economia marcada pelo “excepcionalismo”. Ele apontou crescimento de receitas, expansão dos lucros e ganhos de produtividade associados à inteligência artificial, além de atividade econômica e mercado de trabalho resilientes. Por isso, não vê uma bolha semelhante à crise das pontocom na virada dos anos 2000.
Títulos públicos dos Estados Unidos
A principal oportunidade destacada por Stuhlberger está nos títulos públicos norte-americanos, que passaram a oferecer remuneração maior após a alta dos juros nos últimos anos. Os papéis de dez anos estão na faixa de 5%, segundo a apresentação.
A Verde concentra a aposta em TIPS, títulos corrigidos pela inflação e comparáveis ao Tesouro IPCA+. O fundo mantém posições em papéis de três anos que pagam cerca de 2,65% ao ano de retorno real. “É muito juro para você sentar e esperar”, afirmou o gestor.



