JOANESBURGO — A B2T, empresa sul-africana especializada em absorventes biodegradáveis, busca ampliar sua atuação internacional e avalia levar o produto ao mercado brasileiro. A CEO da companhia, Shamima Essop, afirma que a empresa também considera estabelecer uma operação no Brasil e usar o país como base para uma expansão pela América do Sul.
Essop é vice-presidente do Conselho da Commonwealth de Negócios Femininos, entidade que atua no empoderamento de mulheres na África do Sul. A empresária integra o conselho há oito anos e liderou o desenvolvimento do primeiro absorvente sanitário totalmente biodegradável e certificado no continente africano.
Durante o Fórum Empresarial Brasil-África do Sul, promovido pela ApexBrasil em Joanesburgo, ela destacou a possibilidade de cooperação comercial entre os dois países. Entre os pontos citados estão a participação de pequenas e médias empresas, a inovação e o desenvolvimento de soluções sustentáveis para o mercado feminino.
“Espero que o produto chegue às prateleiras brasileiras”, afirmou Essop. Ela também disse ter expectativa de produzir no Brasil e estabelecer uma operação no país.
Sustentabilidade e pequenas empresas
A executiva relacionou o desenvolvimento do produto ao debate sobre saúde e sustentabilidade. Ela citou o trabalho de um professor que, em fevereiro passado, abordou os efeitos de substâncias químicas presentes em absorventes sanitários comercializados atualmente e informou mulheres sobre a necessidade de escolher alternativas de forma consciente.
Essop avaliou que o fórum criou condições para conversas sobre suporte financeiro, operacional e regulatório às empresas de menor porte. Na avaliação dela, companhias pequenas e médias enfrentam limitações de capacidade, know-how e adaptação a diferentes regulamentos quando tentam entrar em outros países.
A CEO também defendeu a diversidade da economia sul-africana, com atividades como produção de carne, agricultura, mineração e especialidades em Tecnologia da Informação. Para ela, o avanço depende do aproveitamento das capacidades de pessoas e empresas.
Apesar do dinamismo empresarial, Essop apontou dificuldades na articulação com o governo sul-africano. Ela afirma que as iniciativas públicas não acompanham adequadamente as necessidades da indústria e da população, incluindo mulheres e homens.



