A Alternativa para a Alemanha (AfD) vence a eleição na Saxônia-Anhalt com 43,8% dos votos e conquista a maior bancada do parlamento estadual. O resultado abre a possibilidade de Ulrich Siegmund se tornar o primeiro governador da direita populista na Alemanha desde o pós-Guerra, mas o partido ainda precisa formar uma maioria.
A AfD elege 39 deputados, enquanto são necessários 42 assentos para garantir o controle do parlamento. Como o governador não é escolhido diretamente pela população, os partidos precisam construir uma aliança e eleger o representante por maioria.
Siegmund afirma que o resultado terá impacto nacional. “Nós vamos trazer nosso país de volta começando pela Saxônia-Anhalt”, declarou durante a concentração da AfD em Magdeburg. Depois da votação, ele também diz que a legenda não vai abrir mão de suas posições para formar coalizões.
Imigração, escolas e Rússia
O programa de governo da AfD prevê uma operação de deportação com cerca de 100 milhões de euros. A medida deve envolver os ministros do Interior e da Justiça e o uso de voos fretados a partir da região. A prioridade inicial seria a retirada de estrangeiros considerados criminosos ou pessoas que representam risco.
O plano também prevê sanções e cortes de verbas para funcionários e organizações que ajudarem estrangeiros com pedidos de asilo negados. A Saxônia-Anhalt recebeu cerca de 34 mil pedidos de asilo durante a crise migratória de 2015, o equivalente a cerca de 1,5% da população local na época, segundo o Ministério do Trabalho, Assuntos Sociais e Integração do Estado.
Entre outras propostas, a AfD quer iniciar um processo para retirar o estado da rede pública regional de radiodifusão, sob a alegação de preocupação com “desinformação”. O partido também defende o ensino domiciliar, a proibição do hasteamento oficial da bandeira arco-íris nas escolas e a presença da bandeira nacional.
Na política externa, a legenda se opõe ao uso de dinheiro dos contribuintes em apoio à Ucrânia e diz que pressionaria pelo fim das sanções contra a Rússia. Essas decisões são tomadas em nível federal na Alemanha.
Negociações para formar o governo
A CDU tem 15 cadeiras, enquanto o Die Linke, o Partido Social-Democrata da Alemanha (SPD) e o Partido Verde têm 8 assentos cada. O BSW, ligado à ex-diretora do Die Linke Sahra Wagenknecht, alcança o mínimo de 5% dos votos para entrar no parlamento e fica com 5 cadeiras.
Uma das possibilidades discutidas é o apoio do BSW à AfD. A candidata local Claudia Wittig afirma que, apesar das diferenças ideológicas, há pontos de convergência entre os partidos. Outra alternativa envolve uma aproximação entre a União Democrata-Cristã (CDU) e o Die Linke.
Os deputados devem se apresentar ao governo até 30 dias depois da eleição. A primeira sessão do parlamento pode ocorrer, no máximo, até 6 de outubro. É nesse período que começam as negociações para a escolha do novo governador.



