Até 80% das pessoas com histórico de migração na Saxônia-Anhalt consideram deixar o estado, segundo uma pesquisa recente. O dado aparece às vésperas da eleição deste domingo (6), em que a Alternativa para a Alemanha (AfD) lidera as sondagens e pode conquistar mais de 40% dos votos.
A saída de migrantes teria impacto sobre um estado envelhecido. Mais de 27% dos médicos dos hospitais locais não têm passaporte alemão. Em Magdeburgo, capital da Saxônia-Anhalt, o estudante indiano Kirti, de 27 anos, relata que estrangeiros passaram a considerar deixar a região diante de episódios de racismo.
“Então as pessoas estão mais preocupadas em sair. Elas saem com medo, em vez de se sentirem seguras”, afirma Kirti. Ele se mudou para a cidade há pouco mais de um ano para fazer mestrado e diz ter ouvido relatos de agressões contra estudantes, incluindo um caso em que pedras foram lançadas contra a porta de um trem.
Disputa estadual
Classificada como “extremista de direita” pela inteligência alemã, a AfD é liderada no estado por Ulrich Siegmund. O partido defende a abolição do direito de asilo, o confisco de bens de refugiados, uma “ofensiva de remigração” e deportações em massa. O manifesto também propõe reduzir o foco no Holocausto no currículo escolar. Um integrante resumiu a proposta com o lema “mais Bismarck, menos Hitler”.
A CDU, de centro-direita, aparece com pouco mais de 20% nas pesquisas. O Partido da Esquerda (Die Linke) tem 12%, os Social-Democratas, 7%, e os Verdes, 5%. Partidos menores podem alterar a composição do parlamento e permitir uma maioria sem a AfD, dependendo de quais deles superarem a cláusula de barreira.
O chanceler alemão Friedrich Merz, da CDU, descarta cooperação com a AfD e com o Partido da Esquerda. Em Stendal, cidade de 37 mil habitantes no norte do estado, a vereadora Miriam Zeller, do Partido Verde, afirma que a hostilidade contra ela aumentou quando os Verdes estavam no poder. A filha dela deixou de ser convidada para festas de aniversário.



