Ricardo Berzoini afirma que Luiz Inácio Lula da Silva não deve tratar a disputa presidencial como uma eleição já encaminhada. Para o ex-presidente do PT, a aproximação de Flávio Bolsonaro nas pesquisas exige uma mudança na estratégia petista e uma campanha mais direta contra o adversário.
“Não tem favorito. O Lula não é favorito mais”, disse Berzoini durante um fórum eleitoral realizado neste domingo (6). Ele presidiu nacionalmente o PT entre 2005 e 2010, foi ministro nos governos petistas e participou da coordenação da campanha que reelegeu Lula em 2006.
Disputa apertada
A pesquisa Datafolha citada no debate mostra Lula com 38% das intenções de voto no primeiro turno, contra 33% de Flávio Bolsonaro. Augusto Cury aparece com 8%, seguido por Ronaldo Caiado, com 4%, Renan Santos, com 3%, e Romeu Zema, com 2%.
Em uma simulação de segundo turno, Lula registra 46% e Flávio, 44%. O resultado configura empate técnico pela margem de erro de dois pontos percentuais. Duas semanas antes, o placar era de 47% a 43% para Lula.
O levantamento ouviu 2.002 eleitores em 125 cidades nos dias 1º e 2 de setembro. Berzoini afirma que pesquisas quantitativas não devem ser tratadas como previsão do resultado das urnas. Ele defende o uso de pesquisas qualitativas para identificar por que eleitores escolhem ou abandonam uma candidatura.
“A gente acreditar na pesquisa como uma predição do que vai acontecer, mesmo que seja na véspera, é pouco razoável”, afirmou.
Crítica à campanha petista
Berzoini avalia que a propaganda de Lula no rádio e na televisão ainda não adotou o tom necessário para a reta final. Ele defende confronto aberto com Flávio Bolsonaro e afirma que o presidente precisa disputar diretamente o eleitor indeciso, sem se limitar à apresentação de ações do governo.
“O Flávio está muito mais contido do que ele é de verdade”, disse o ex-presidente do PT, ao avaliar a postura do senador durante a campanha.
Berzoini também cita uma experiência no Distrito Federal, onde atua politicamente. Segundo ele, uma candidatura apoiada por seu campo ganhou força depois de confrontar diretamente o governo local durante um debate.
A possibilidade de uma mudança no cenário nas semanas finais foi relacionada ao que ocorreu na eleição presidencial de 2022. Lula terminou o primeiro turno com 48,43% dos votos válidos, contra 43,20% de Jair Bolsonaro. No segundo turno, Lula teve 50,90%, e Bolsonaro, 49,10%.
Para Berzoini, o histórico e o empate técnico atual mostram que ainda podem ocorrer mudanças relevantes no eleitorado. “Tudo pode acontecer. Nós temos quatro semanas pela frente”, afirmou.



