O senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) cobra publicamente que a ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), vote pela abertura de uma investigação contra Alexandre de Moraes, também ministro da corte.
Durante uma transmissão nas redes sociais neste domingo (5), Flávio Bolsonaro questiona diretamente a posição da magistrada e afirma que ela deve considerar o legado de sua trajetória profissional. “Queremos saber se a senhora vai autorizar que o ministro Alexandre de Moraes seja investigado”, declara.
A ministra ainda não definiu a posição nas deliberações relacionadas ao conflito entre Moraes e André Mendonça. Cármen Lúcia identifica incorreções nas condutas dos dois ministros e é apontada como decisiva no impasse entre os grupos ligados a eles.
Na mesma transmissão, Flávio Bolsonaro convoca aliados e eleitores para as manifestações previstas para 7 de Setembro, com críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a Moraes. O senador associa a quantidade de pessoas nas ruas ao resultado dos julgamentos no STF: “Se no 7 de Setembro as ruas estiverem cheias em todo o Brasil, o julgamento vai ser um; se estiverem vazias, vai ser outro”.
O STF deve analisar duas frentes do conflito interno. Uma delas envolve os métodos usados por Mendonça em apurações sobre o Banco Master e o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). O relatório da Polícia Federal produzido nessas investigações aponta Moraes como interlocutor do ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
A outra trata da decisão de Moraes de usar o inquérito das fake news para pedir uma investigação contra Mendonça por abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade.
Na terça-feira (1º), Mendonça retirou o segredo de justiça do relatório da Polícia Federal que reúne mensagens de Vorcaro destinadas a Moraes. Entre elas, há uma pergunta sobre deixar o país antes da prisão do banqueiro, em 2025.
Cármen Lúcia telefonou para Moraes antes de ele reagir, na quinta-feira (3), e demonstrou solidariedade diante da exposição pública. A ligação foi interpretada por auxiliares como um aceno de apoio, mas a ministra não garantiu seu voto. Depois, interlocutores relataram que ela ficou perplexa com as condutas dos dois ministros e com a erosão interna do tribunal.



