A escala 6×1 é associada à piora da saúde mental por 67% dos trabalhadores submetidos a esse regime, enquanto 62% relatam problemas físicos. Os dados fazem parte de uma pesquisa nacional do Instituto Locomotiva sobre a proposta de substituir a jornada de 44 horas semanais, distribuída em 6×1, por 40 horas em 5×2.
O levantamento aponta que 78% dos brasileiros apoiam a mudança. O percentual corresponde a cerca de 128 milhões de pessoas. Entre a geração Z, o apoio chega a 86%; entre as mulheres, a 83%. O estudo também registra que 96% dos eleitores que se dizem de direita são favoráveis à alteração, assim como 61% dos eleitores de direita.
Descanso e convivência
Para 72% dos entrevistados, a escala prejudica o equilíbrio entre trabalho e vida pessoal. Outros 78% afirmam que quem trabalha nesse regime tem menos tempo para a família e os amigos. Entre os trabalhadores submetidos à jornada, 69% dizem que o convívio familiar é o principal aspecto afetado, 61% citam o sono e 67% relatam piora na saúde mental.
A pesquisa mostra ainda que 63% desses trabalhadores consideram que a escala prejudica sua vida de maneira geral. Para 81% dos brasileiros, descansar se tornou um privilégio. O único dia de folga concentra descanso, tarefas domésticas, compromissos pessoais e convivência familiar.
Renato Meirelles, presidente do Instituto Locomotiva, afirma que o problema aparece no tempo disponível depois do trabalho. “Quando a gente pergunta para quem vive a escala 6×1, o problema não aparece primeiro no salário. Aparece no tamanho da vida que sobra depois do trabalho”, diz.
Produtividade e custos
O levantamento indica que 74% dos brasileiros acreditam que a tecnologia aumentou a produtividade, mas não melhorou a vida de quem trabalha. Entre eleitores de direita, esse percentual é de 64%. Além disso, 70% consideram que, se a produtividade aumentou, o trabalhador deveria trabalhar menos.
A jornada também é apontada como obstáculo à qualificação: 47% dos trabalhadores em 6×1 dizem que o regime atrapalha os estudos. Já 48% acreditam que a redução para 5×2 fará os empresários repassarem os custos trabalhistas à população.
Os resultados são divulgados enquanto o Congresso Nacional debate propostas para alterar as regras da jornada e encerrar o modelo de seis dias consecutivos de trabalho para um de descanso. Para Meirelles, a discussão envolve tanto a quantidade de horas trabalhadas quanto a distribuição do descanso ao longo da semana.



