Integrantes do governo Luiz Inácio Lula da Silva consideram político o relatório divulgado pelo governo dos Estados Unidos nesta quarta-feira (16). O documento acusa o Brasil de não ter enfrentado adequadamente o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV).
Até a tarde desta quarta-feira (16), não havia ocorrido uma reunião específica de Lula sobre o relatório. A avaliação predominante entre os auxiliares era de que o Palácio do Planalto não deveria responder ao documento, mas ainda não havia decisão definitiva.
Um dos argumentos apresentados pelo governo brasileiro é que o Brasil não aparece na lista de países classificados pelo relatório como principais vias ou produtores de drogas. Mesmo assim, o país foi incluído entre os alvos das críticas sobre o combate às facções criminosas.
Os auxiliares também questionam o conteúdo político do documento, que menciona declarações do governo de Donald Trump sobre a política latino-americana. O relatório saúda o avanço da extrema direita na região e elogia a mudança de poder na Bolívia após “décadas de governos socialistas ineptos”.
O documento cita ainda a presidente do Peru, Keiko Fujimori, e seu compromisso de atuar com os Estados Unidos e outros aliados para “desmantelar o crime organizado”. Também elogia Argentina, Equador e El Salvador, descritos como “três dos maiores aliados” dos Estados Unidos no hemisfério.
Proposta de cooperação
Integrantes do governo brasileiro lembram que Lula apresentou pessoalmente a Donald Trump uma proposta de cooperação contra o crime organizado internacional. A iniciativa foi entregue durante um encontro entre os dois presidentes na Casa Branca, em maio.
Segundo auxiliares do presidente, o governo dos Estados Unidos não respondeu à proposta. Para membros do governo brasileiro, a falta de resposta indica que a atuação do PCC e do Comando Vermelho pode não ser o principal fator por trás do relatório divulgado nesta quarta-feira (16).



