O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu uma reforma política para reorganizar o sistema partidário brasileiro e reduzir a polarização. Em entrevista ao Canal Livre, da Band, neste domingo (27), ele afirmou que as regras atuais geraram uma “promiscuidade generalizada na política”.
Lula relacionou a divisão política mantida desde a eleição de 2022 à disputa entre PT e bolsonarismo e às polarizações de eleições anteriores entre PT e PSDB. Para o presidente, os partidos precisam apresentar programas, bandeiras e compromissos mais definidos com setores da sociedade.
“Vai mudar quando a gente fizer uma reforma política nesse país”, afirmou Lula. Ele defendeu a criação de partidos com manifesto, compromisso social e comportamento ético, sem dependência de fundo partidário ou fundo eleitoral.
O presidente reconheceu que a mudança enfrentaria resistência no Congresso Nacional por atingir interesses de parlamentares e legendas. Lula disse que a aprovação exigiria uma nova rodada de negociações e citou a reforma tributária e a PEC da Transição como exemplos de acordos construídos no atual mandato, com participação de ministros, líderes do governo e integrantes do Legislativo.
Durante a entrevista, ele criticou a influência parlamentar sobre recursos públicos e declarou que não seria possível manter o Congresso Nacional com “50% do orçamento da União”. A referência foi apresentada pelo próprio presidente como uma crítica à influência sobre o orçamento, e não como um dado independente.
Lula também afirmou que pretende insistir na reforma caso seja reeleito. Segundo ele, a reorganização partidária é necessária para que as legendas representem segmentos identificáveis da sociedade e tenham compromissos mais claros. “A gente vai acabar com a polarização quando os partidos estiverem reorganizados”, disse.
O presidente apontou o PT como exceção entre os partidos atuais e afirmou que a legenda é a única de caráter nacional com programa, manifesto e bandeira. A declaração expressa a avaliação política de Lula sobre o sistema partidário.
Ele ainda mudou de posição sobre o financiamento público de campanhas. Lula disse que já defendeu o fundo partidário e o fundo eleitoral, mas agora considera que os mecanismos devem ser revistos. Também criticou o orçamento secreto e afirmou que o sistema dificulta a entrada de novos atores na política, além de favorecer partidos orientados pela quantidade de deputados e pelo acesso a recursos públicos.
Ao final, Lula defendeu que o presidente governe, o Legislativo legisle e o Judiciário julgue. Ele mencionou ainda a possibilidade de uma reforma no Judiciário, sem detalhar propostas.



