A deputada federal Fernanda Melchionna (PSOL-RS) pede o afastamento do ministro André Mendonça da relatoria do caso envolvendo o empresário Daniel Bueno Vorcaro, ex-proprietário do Banco Master. A manifestação ocorre após o ministro determinar, cautelarmente, a saída do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência Policial, Leandro Almada da Costa.
Melchionna também cobra uma decisão do presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin. Para a deputada, a medida enfraquece as investigações sobre suspeitas relacionadas ao Banco Master e ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Decisão de Mendonça
A determinação foi tomada na Petição 16.662, após requerimentos do Partido Novo. Mendonça afirma que é necessário apurar “inadequações, disfuncionalidades, irregularidades e potenciais ilicitudes” em trabalhos da inteligência policial. A iniciativa do partido ocorreu depois de uma Informação de Polícia Judiciária identificar referências ao nome “Andrei” em conversas encontradas no celular apreendido de Daniel Vorcaro.
A deputada afirma que os dois diretores afastados tiveram papel central em apurações sobre operações financeiras e suspeitas de corrupção. “É urgente o afastamento do Mendonça do caso do Vorcaro. Isso está na mão do presidente do Supremo. Cabe ao Fachin tomar essa decisão”, declarou.
As investigações citadas envolvem a remessa de valores de empresas ligadas a Vorcaro, entre elas a Enter Investimentos, administrada por Antonio Freixo Júnior, conhecido como “Mineiro”, para o fundo Havengate Development Fund, sediado nos Estados Unidos. O Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República apuram se os recursos financiaram a biografia cinematográfica “Dark Horse”, ligada a Jair Bolsonaro, ou se tiveram outras destinações ilícitas.
Mendonça afirma ter sido alvo de “monitoramento e coleta dirigida” pela Polícia Federal por mais de 30 dias. O ministro também menciona seis relatórios apócrifos divulgados no Inquérito 4.781, com avaliações sobre sua relação com o advogado-geral da União, Jorge Messias, além de informações sob segredo de Justiça relacionadas a alvos políticos.
Com o afastamento cautelar, a direção da Polícia Federal passa interinamente ao diretor-executivo William Marcel Murad. A decisão ainda será analisada pela Segunda Turma do STF. Melchionna afirma que a autonomia das investigações deve ser preservada e que Mendonça precisa deixar a relatoria do caso.



