A decisão de André Mendonça de afastar o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, aumenta a pressão para que o plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) antecipe a análise da crise entre ministros da corte. A medida também enfraquece a estratégia do presidente do tribunal, Edson Fachin, de solicitar manifestações dos envolvidos antes de mediar o impasse entre Mendonça e Alexandre de Moraes.
A Advocacia-Geral da União (AGU) deve apresentar recurso para que a decisão seja analisada diretamente pelo plenário. Na Segunda Turma do STF, já se projeta maioria para confirmar a ordem que afastou Rodrigues e o diretor de inteligência da Polícia Federal, Leandro Almada.
A avaliação de interlocutores do tribunal é que a decisão de Mendonça não pode ser examinada separadamente das acusações trocadas entre os ministros. Com isso, diminui a possibilidade de Fachin adiar a discussão para depois das eleições e aumenta a expectativa de um confronto entre Mendonça e Moraes.
O que o plenário deve analisar
Os ministros deverão decidir se será aberta investigação contra Moraes com base em um relatório policial. O documento aponta o recebimento de mais de 50 mensagens enviadas por Daniel Vorcaro, incluindo questionamentos sobre uma possível saída do Brasil.
O relatório também indica que Moraes editou um contrato de R$ 131 milhões firmado entre sua esposa, a advogada Viviane Barci de Moraes, e o Banco Master.
Em outra frente, o plenário deve avaliar a manifestação apresentada por Moraes no inquérito das fake news. O ministro pediu a investigação de Mendonça por crime de responsabilidade e improbidade administrativa. Ele sustenta que houve direcionamento político na condução dos inquéritos relacionados ao Banco Master e ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).



