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Provão Paulista registra concentração de desempenhos atípicos em escolas estaduais

Levantamento da REPU aponta 4.305 resultados fora do padrão e relação com 1.608 convocações para universidades públicas paulistas.

Provão Paulista registra concentração de desempenhos atípicos em escolas estaduais
Foto: Paulo Guereta/Governo do Estado de SP

A Secretaria da Educação do Estado de São Paulo (Seduc-SP) confirma seis casos de estudantes que entraram com celulares em salas e fotografaram questões do Provão Paulista de 2025. A pasta afirma que não houve acesso antecipado às provas, que os exames foram anulados e que as equipes escolares receberam novas orientações.

O episódio ocorre em meio a um levantamento da Rede Escola Pública e Universidade (REPU), que identificou 4.305 resultados estatisticamente atípicos entre estudantes do 3º ano do ensino médio da rede estadual em 2025. Para a secretaria, porém, um resultado fora do padrão não comprova, isoladamente, uma irregularidade ou fraude.

Concentração dos resultados

A REPU analisou microdados das edições de 2023, 2024 e 2025, dados de bonificações e listas de convocação para o ensino superior. O estudo considera atípico o desempenho mais de três desvios-padrão acima do esperado — salto aproximado de 20 acertos em uma prova de 90 questões.

Em uma distribuição estatística normal, cerca de 0,15% dos resultados ultrapassariam esse limite. Nas Etecs, a proporção foi de 0,17% em 2025. Na rede estadual administrada pela Seduc-SP, chegou a 1,91%: 4.305 entre 224.935 estudantes. O índice é 12,7 vezes maior que a referência estatística.

Em 2024, foram identificados 1.026 resultados atípicos, equivalentes a 0,49%. A REPU afirma que um resultado isolado não representa automaticamente fraude individual e concentra a análise na escala e na distribuição dos casos.

Metade dos 4.305 resultados apareceu em 50 das 3.594 escolas estaduais analisadas, que correspondem a 1,4% das unidades. Em 44 escolas com pelo menos 30 participantes, mais de 40% dos estudantes tiveram desempenho fora do padrão. Em algumas, o índice passou de 90%.

A concentração regional também foi destacada: metade dos resultados estava em oito das 91 Unidades Regionais de Ensino. Os pesquisadores avaliaram hipóteses como mudança no perfil dos estudantes, preparação específica para a prova e evolução pedagógica, mas afirmam que nenhuma explica satisfatoriamente a concentração em determinadas escolas e regiões.

Efeito nas convocações

O Provão Paulista também é usado na seleção para USP, Unicamp, Unesp, Univesp e Fatecs. Ao cruzar os resultados com listas de convocação para o primeiro semestre de 2026, obtidas pela Lei de Acesso à Informação, a REPU identificou 1.608 convocados entre 14.271 estudantes da rede estadual chamados para USP, Unicamp, Unesp e Fatecs. Eles vieram de 128 escolas nas quais mais de 20% dos resultados eram atípicos.

No recorte de escolas com mais de 40% de resultados fora do padrão, foram identificados 1.266 convocados. Em nove unidades, 203 dos 225 estudantes analisados tiveram resultados atípicos, enquanto 192, ou 85%, apareceram nas listas de convocação.

A correlação entre convocados e resultados atípicos nas escolas que reuniam os dois grupos chegou a 0,76, segundo a REPU. Os pesquisadores afirmam que o fenômeno afetou as listas, mas dizem que os dados não permitem apontar quais estudantes eventualmente fraudaram a prova nem quais vagas foram ocupadas em razão de irregularidades.

Disputa sobre o modelo e os dados

A nota técnica foi divulgada em 4 de setembro. Para a REPU, o desenho do exame reúne avaliação da rede, seleção universitária e bonificação. O Decreto nº 67.941/2023 determina que o Provão integre o Saresp. A prova também seleciona estudantes para universidades públicas e integra uma política de metas com consequências financeiras e funcionais para profissionais da rede.

Em 2025, São Paulo pagou R$ 544 milhões em bônus a servidores. Em 2026, o valor relacionado aos resultados do Saresp 2025 chegou a quase R$ 1 bilhão. A REPU sustenta que a combinação cria conflitos de interesse e incentivos à inflação dos resultados, mas o estudo não afirma que os pagamentos tenham causado as anomalias.

Segundo os pesquisadores, os microdados de 2025 tiveram oito versões entre fevereiro e agosto de 2026. Após recursos pela Lei de Acesso à Informação, a Ouvidoria Geral do Estado determinou a divulgação integral dos dados. A REPU afirma que o atendimento permaneceu parcial e que informações de desempenho do 3º ano ainda estavam ausentes na base publicada em 17 de agosto.

A Seduc-SP rejeita a conclusão de fraude sistêmica e diz ter encontrado desempenho elevado ou evolução relevante em Matemática em parte das escolas analisadas, após comparação com resultados do Saeb. A REPU defende revisão da fiscalização, controle mais rígido sobre dispositivos eletrônicos, auditoria permanente e separação entre avaliação da rede e vestibular. A edição de 2026 já está em andamento e será usada para o ingresso no ensino superior em 2027.

Texto produzido pela Redação Fato em Curso com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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