Um ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) calcula que um eventual pedido de impeachment contra um integrante da Corte teria 42 votos favoráveis no Senado que tomará posse em 2027. A avaliação considera a bancada atual da direita e candidatos com chances reais de vitória, mas projeta um Senado menos alinhado ao bolsonarismo do que o previsto pela campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
A pressão por um processo de afastamento ocorre durante o embate público entre Alexandre de Moraes e André Mendonça e em meio ao desgaste do Judiciário. Para que a deposição de um ministro avance, porém, seriam necessários 54 votos.
Mudança no quórum
O número passou a ser exigido após uma liminar de 2025 do decano do STF, Gilmar Mendes. Antes da decisão, bastava a maioria dos senadores presentes na sessão. A regra atual estabelece dois terços do Senado, patamar considerado alto mesmo em períodos de crise.
Hoje, há pelo menos 33 candidatos do PL às vagas de senador. A composição que sair das urnas em outubro será decisiva para a possibilidade de avanço de um processo em 2027, conforme a projeção atribuída ao magistrado.
As articulações também ocorrem após revelações sobre contatos entre Moraes e Daniel Vorcaro, antigo dono do banco Master. O ministro teria conversado dezenas de vezes com o banqueiro, dado conselhos e opinado sobre um possível projeto de fuga do país.
Em um celular de Vorcaro, foram analisados 31.975 logs, registros das atividades do aparelho. Entre as informações identificadas está a edição pessoal, por Moraes, de um contrato milionário que incluía a esposa do ministro no quadro de funcionários do executivo investigado. O texto também afirma que Vorcaro consultava Moraes sobre estratégias jurídicas relacionadas ao banco.
Em uma mensagem enviada em 14 de novembro de 2025, Vorcaro escreveu: “Estamos juntos sempre. Você sabe que tenho gratidão da minha vida a você”. Em outra, afirmou que o legado de Moraes para o Brasil seria eterno.
Na sexta-feira, 4, o presidente do STF, Edson Fachin, declarou em uma solenidade no Palácio do Planalto que “nenhuma autoridade está acima da lei” e que a Corte fará o que é certo.



