O sistema da Meta para identificar conteúdo produzido por inteligência artificial apresenta resultados diferentes conforme a ferramenta usada. No Instagram, fotos reais submetidas a edições leves podem receber o rótulo “Conteúdo de IA”, enquanto imagens criadas integralmente por modelos generativos podem ser publicadas sem identificação.
A marca de cosméticos About Face, de Halsey, relata que fotografias feitas com iPhone e alteradas apenas de forma leve foram classificadas pelo Instagram como conteúdo de inteligência artificial. A empresa afirma que as imagens usavam pessoas e artistas reais e não envolviam a criação de personagens ou fotografias sintéticas.
Também há relatos no Threads de usuários que receberam o aviso após utilizar o removedor de fundo do Canva ou ferramentas para corrigir pequenas imperfeições. A página de ajuda do Canva informa que o recurso de remoção de fundo não inclui metadados de conteúdo gerado por IA no design. A estrategista de conteúdo Jess Bruno descreve um caso semelhante e diz que algumas ferramentas do Canva faziam o Instagram classificar as imagens como geradas por IA. O Canva afirma ter corrigido o problema, mas outros usuários continuam relatando ocorrências parecidas.
Testes com diferentes ferramentas
Em testes com recursos de edição e geração, imagens trabalhadas no Photoshop, no Adobe Firefly, no Google Nano Banana dentro do Gemini e no Apple Intelligence não ativaram o rótulo de forma consistente. A identificação ocorreu de maneira consistente apenas com imagens editadas ou geradas pelas ferramentas de inteligência artificial da Meta.
A empresa já havia recebido críticas sobre o sistema em 2024, poucos meses depois do lançamento do selo “Made by AI”. Na ocasião, imagens que passaram por alterações consideradas simples pelos próprios criadores foram tratadas como conteúdo produzido por IA.
A Meta afirmou que ajustaria a ferramenta para considerar a quantidade de inteligência artificial usada em cada imagem e citou padrões da indústria, como os metadados IPTC e C2PA. A companhia não detalha quais sinais analisa atualmente.
Para fotógrafos, designers, marcas e criadores de conteúdo, o aviso pode transmitir ao público uma interpretação incorreta sobre a origem da imagem. Uma foto capturada por uma câmera e depois editada para remover objetos, por exemplo, não é necessariamente equivalente a uma cena criada inteiramente por um modelo generativo. Quando uma imagem sintética não recebe identificação, o público pode não saber que aquela cena nunca existiu fora do computador.



