A oferta de LCIs e LCAs diminui, e as taxas desses investimentos isentos de Imposto de Renda recuam. Títulos que pagavam entre 95% e 100% do CDI ficaram mais difíceis de encontrar, enquanto opções disponíveis oferecem 85%, 86% do CDI ou menos.
Um levantamento da Quantum Finance mostra que o número de emissões de LCAs caiu de 2.180 em setembro de 2024 para 1.740 um ano depois. Entre as LCIs, a quantidade passou de 29 para 11 no mesmo período. Na parcial de 2026, até 17 de setembro, foram identificadas 405 emissões de LCAs e apenas uma de LCI.
Menos oferta, taxas menores
A remuneração média das LCAs pós-fixadas com prazo de 12 meses caiu de 93,3% do CDI em setembro de 2024 para 90,1% em setembro de 2025 e 86,6% em 2026.
Ricardo Trevisan, CEO da Gravus Capital, atribui a redução da oferta a mudanças regulatórias, ao comportamento dos investidores e ao ciclo de crédito dos bancos. O Conselho Monetário Nacional (CMN) restringiu os ativos que podem servir de lastro para LCIs e LCAs e elevou o prazo mínimo de vencimento de seis meses para um ano.
Após a crise provocada pelo Banco Master no Fundo Garantidor de Créditos (FGC), o CMN também criou novas regras para emissões bancárias garantidas pelo fundo. As medidas envolvem a contribuição financeira dos bancos e limites de capital em títulos públicos. Com isso, ficou mais caro e difícil para algumas instituições emitir CDBs, LCIs e LCAs.
No segundo semestre de 2025, os bancos ainda aumentaram as emissões diante da possibilidade de fim da isenção de Imposto de Renda a partir de 1º de janeiro de 2026. A proposta não avançou, mas deixou as instituições com maior disponibilidade de caixa e menor necessidade de captação.
“Banco que já está com o caixa cheio não tem motivo para pagar caro por financiamento”, afirma Trevisan.
Retorno depende do cenário
A taxa básica de juros passou de 10% para 15% ao ano no pico entre 2024 e 2026 e chegou a 13,75% neste mês. Com juros elevados, aumenta a procura por títulos isentos, porque o benefício tributário também cresce. Considerando a alíquota mínima de 15% de Imposto de Renda, a economia chega a 0,9 ponto percentual com juros de 6% ao ano e a 2,25 pontos com taxas próximas de 15%.
O estoque de LCIs e LCAs ultrapassava R$ 1 trilhão em junho de 2026, segundo dados da Anbima. Com mais demanda e menos oferta, os emissores conseguem reduzir a remuneração sem perder atratividade.
Mesmo com a queda do percentual do CDI, o investidor ganhou mais em 2025 do que em 2024 porque os juros básicos subiram. Uma aplicação de R$ 100 mil rendeu cerca de R$ 3.718 a mais em 2025. Já na comparação entre 2025 e 2026, o retorno caiu: uma aplicação do mesmo valor deixou de render R$ 13,5 mil para entregar cerca de R$ 11,9 mil, diferença de R$ 1,6 mil.
Gabriel Santos, head de research da Bloxs, afirma que a análise deve considerar prazo, liquidez e risco de crédito, além do percentual do CDI. LCIs e LCAs são emissões bancárias cobertas pelo FGC e não têm oscilação de preço por marcação a mercado, mas o banco emissor continua sendo um fator de risco.
Ainda é possível encontrar títulos com retorno de 90% do CDI ou mais, principalmente em bancos médios. Para Trevisan, taxas acima da média representam o preço do risco. Santos afirma que percentuais de 95% ou 100% do CDI em títulos isentos tendem a ser oportunidades pontuais, e não uma referência permanente de mercado.
A comparação com CDBs também exige atenção. Embora sejam tributados, esses títulos têm emissão bancária, cobertura do FGC e ausência de marcação a mercado. Para os especialistas, a isenção das LCIs e LCAs não garante, por si só, retorno maior. O parâmetro de análise deve ser o retorno líquido, considerando remuneração, prazo, liquidez e risco.



