O Uruguai lidera o ranking de melhores destinos para brasileiros que planejam se aposentar no exterior em 2026. O levantamento da Global Citizen Solutions avaliou 46 programas de aposentadoria e renda passiva com base em qualidade de vida, mobilidade, cidadania, tributação, residência e custos.
A escolha pode variar conforme a prioridade de cada pessoa. Quem busca cidadania europeia pode chegar a uma conclusão diferente de quem dá mais peso aos impostos ou ao custo de vida. Para Laura Madrid, pesquisadora-chefe do Global Intelligence Unit da Global Citizen Solutions, o visto de aposentadoria deve ser analisado também sob a perspectiva patrimonial e tributária.
Os cinco países mais bem avaliados
O Uruguai aparece em primeiro lugar entre os programas analisados. O país reúne proximidade com o Brasil, integração pelo Mercosul e diferentes caminhos para obter residência. O estudo também destaca o regime tributário territorial e um período de transição para determinados rendimentos de capital de fonte estrangeira, após mudanças recentes.
Portugal ocupa a segunda posição na lista. O país oferece idioma e proximidade cultural, além de acesso ao espaço europeu. Também apresenta boas avaliações em qualidade de vida e mobilidade. Brasileiros podem ter a possibilidade de naturalização após o cumprimento dos requisitos legais aplicáveis a cidadãos de países de língua portuguesa.
O sistema tributário é o principal ponto de atenção. Portugal encerrou o antigo regime de Residente Não Habitual para novos beneficiários e adotou regras diferentes. O regime atual voltado a determinadas atividades qualificadas não foi criado especificamente para favorecer rendimentos de aposentadoria.
A Espanha está em terceiro lugar e recebeu a melhor avaliação do grupo em qualidade de vida. Brasileiros podem solicitar a nacionalidade espanhola após dois anos de residência legal e continuada, em determinadas condições. Por outro lado, residentes são tributados sobre a renda mundial, sem um regime específico de tributação favorecida para aposentados.
A Costa Rica aparece na quarta posição. O país combina tributação territorial com avaliações positivas em custos e mobilidade. O programa Pensionado é voltado a pessoas com renda regular de aposentadoria. O processo de residência, porém, é considerado mais demorado do que o de algumas alternativas.
O Paraguai fecha a lista. O país se destaca por custos, tributação territorial, proximidade com o Brasil e possibilidade de residência pelas regras do Mercosul. Determinados rendimentos obtidos fora do Paraguai, como uma aposentadoria de fonte brasileira, podem ficar fora da tributação local. A avaliação de qualidade de vida foi inferior à dos países líderes.
Posição do Brasil
No panorama global do índice, Uruguai, Ilhas Maurício e Espanha aparecem na liderança, enquanto Costa Rica e Portugal completam os cinco primeiros colocados entre os programas mais abrangentes. O Brasil ocupa a 15ª posição entre os 46 programas avaliados.
O país tem regras de entrada consideradas acessíveis. O VITEM XIV, destinado a aposentados e pessoas com renda passiva, exige renda mensal de pelo menos US$ 2 mil, não estabelece idade mínima e não exige a compra de imóvel.
O Brasil também recebeu avaliação elevada no critério de mobilidade e cidadania. Em tributação, entretanto, ficou na 35ª posição. Residentes fiscais brasileiros estão sujeitos à cobrança sobre a renda mundial, com alíquotas progressivas de até 27,5%.



