TÓQUIO — A capital japonesa reúne experiências de épocas distintas em um único roteiro: o dia pode começar com sushi de atum em Tsukiji, passar por uma aula de arco e katana em Asakusa e terminar entre espetinhos e saquê em Shinjuku.
A cidade é formada por 23 distritos especiais, com administrações, identidades e atmosferas próprias. Shinjuku, Shibuya, Asakusa e Ginza funcionam como universos diferentes dentro da mesma metrópole, onde arranha-céus, trens, templos e casas de madeira dividem espaço.
Da feira ao almoço histórico
Tsukiji continua movimentado mesmo depois de o mercado atacadista ser transferido para Toyosu, em 2018. A área externa reúne lojas, bancas e restaurantes que vendem frutos do mar, facas e temperos. No Maguroya Kurogin, o atum aparece nos cortes akami, chutoro e otoro. O roteiro também passa pelo Kouragumi, com enguia, e pelo Tsukiji Ihachi Honten, especializado em king crab.
A orientação é chegar cedo e, se possível, contar com um guia. Daya Tutya, nipo-brasileira que vive no Japão desde 2004, acompanha visitantes e indica locais para comer.
Em Asakusa, o BUB Activity Center oferece treinamento inspirado nas artes dos samurais, com fundamentos de arco e katana. A atividade apresenta concentração, disciplina e repetição de movimentos, sem transformar participantes em guerreiros.
O almoço acontece no Daikokuya, restaurante fundado em 1887 e conhecido pelo tempurá servido com molho escuro sobre o arroz.
Fé, comida e vielas
Perto dali, o Sensō-ji é apresentado como o templo budista mais antigo de Tóquio. A história começa em 628, quando dois pescadores teriam encontrado uma estátua de Kannon. O caminho até o templo passa pelo Kaminarimon e pela Nakamise-dori, com doces de pasta de feijão, biscoitos de arroz, bolinhos e sorvetes de matcha.
À noite, Omoide Yokocho, em Shinjuku, reúne vielas estreitas, pequenas grelhas e balcões. No Yasube’e, a refeição inclui agedashi tofu, nasu agedashi, yakitoris, polvo frito e pratos de izakaya.
O bairro também é associado ao nomikai, encontro entre colegas marcado pelo consumo de bebidas. A cena contrasta com a imagem dos balcões silenciosos de sushi: ali, a cozinha é barulhenta, esfumaçada e acompanhada principalmente de saquê, cerveja e uísque.
Em um único dia, o percurso passa por um mercado que preserva sua atividade, uma tradição marcial, um restaurante com mais de um século, um templo com quase 1.400 anos de história e um conjunto de bares surgido no pós-guerra. A sequência não resume Tóquio, mas mostra como diferentes tempos convivem na cidade.



