A Volkswagen informa que chegou a um entendimento para transferir a fábrica de Osnabrück, no noroeste da Alemanha, ao grupo de investimentos Aurelius Capital. Após o fim da produção de carros, previsto para 2027, a unidade poderá ser usada em um projeto da israelense Rafael Advanced Defence Systems voltado à indústria de defesa.
A proposta prevê avaliar a fabricação de sistemas de defesa aérea e de peças para esses equipamentos. Os produtos seriam destinados ao mercado alemão e a outros países europeus. A Aurelius, com sede em Tel Aviv, deve controlar a operação e trabalhar em conjunto com a Rafael.
O acordo ainda não conclui a venda. As empresas precisam definir o modelo societário, as responsabilidades de cada parte e obter as autorizações dos órgãos reguladores. O valor da negociação não foi divulgado.
A Rafael produz mísseis guiados, sistemas de guerra eletrônica e equipamentos de defesa aérea. Entre os produtos estão o Domo de Ferro, utilizado por Israel, o Iron Beam, que usa laser para interceptar alvos aéreos, e o Trophy, sistema de proteção ativa empregado nos tanques Leopard fabricados na Alemanha.
Reestruturação da Volkswagen
A mudança ocorre durante uma reestruturação da montadora, que enfrenta a concorrência de fabricantes chineses, tarifas dos Estados Unidos e uma demanda fraca por veículos elétricos. No Plano Futuro 2030, a empresa prevê reduzir pela metade o número de modelos oferecidos e eliminar aproximadamente 50 mil postos de trabalho, além de outros 50 mil cortes já anunciados.
A fábrica de Osnabrück emprega cerca de 1,8 mil pessoas. O conselho de trabalhadores afirma que pelo menos 1,2 mil postos podem ser mantidos com o novo projeto. A Volkswagen decidiu, ainda em 2024, retirar a produção de veículos da unidade até 2027.
Com 125 anos de história, a planta produz o T-Roc Cabriolet e os modelos Cayman e Boxster, da Porsche, marca controlada pelo grupo Volkswagen. A possível conversão ocorre enquanto a Alemanha aumenta os gastos militares: o orçamento do Ministério da Defesa deve passar de 82,7 bilhões de euros neste ano para 109,7 bilhões de euros no próximo.
A Rheinmetall, maior grupo europeu do setor de defesa, também adapta instalações antes usadas na fabricação de veículos para produzir equipamentos militares.



