A Alternativa para a Alemanha (AfD) conquista 43,8% dos votos na eleição regional da Saxônia-Anhalt e amplia a pressão sobre o chanceler Friedrich Merz. A União Democrata Cristã (CDU), partido de Merz, fica com 17,2%, uma queda de cerca de 20 pontos percentuais em relação ao pleito anterior.
A votação ocorre no domingo (6/9), e o resultado é discutido por dirigentes da CDU em Berlim. Merz reconhece que sua baixa popularidade contribuiu para o desempenho do partido e classifica o resultado como a “mais dura derrota eleitoral da CDU em décadas”.
“Desde ontem, não apenas a Saxônia-Anhalt mudou, mas toda a Alemanha”, afirma o chanceler. Ele também declara que o resultado terá consequências e admite que sua imagem foi um tema constante durante a campanha.
Chanceler mantém o governo e a agenda de reformas
Apesar do revés, Merz descarta deixar o comando do governo. “Desistir não é uma opção para mim”, afirma. Ele diz que cabe ao governo federal, e também a ele pessoalmente, criar oportunidades para a próxima geração.
O chanceler sustenta que filhos e netos devem ter as mesmas oportunidades de viver em liberdade, paz e prosperidade que sua geração teve. Para ele, essa é uma responsabilidade da qual não pretende fugir.
Merz planeja conversar nos próximos dias com o Partido Social-Democrata (SPD), parceiro da CDU na coalizão governista. O chanceler defende os princípios das reformas adotadas pelo governo, mas indica abertura para discutir pontos da reforma da Previdência e o alcance da reforma tributária.
Ele também afirma que sua determinação de seguir com as reformas permanece inabalada. Ao mesmo tempo, reconhece que o programa precisa ser explicado melhor aos eleitores e que as medidas devem ser apresentadas como instrumentos para alcançar objetivos concretos.
Próximas eleições aumentam a pressão
A coalizão enfrenta divergências sobre políticas sociais e econômicas, enquanto o governo tenta reanimar uma economia estagnada. A política social, especialmente as aposentadorias, está entre os temas de conflito.
Merz assume o governo alemão em 2025 com a promessa de levar a CDU de volta às raízes conservadoras. Desde então, adota medidas mais rígidas contra a imigração irregular e prioriza a recuperação econômica, mas mantém índices baixos de popularidade.
Dentro de duas semanas, haverá eleições regionais em Berlim e em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental. Depois dos pleitos, Merz afirma que a CDU e a coalizão deverão avaliar os resultados e discutir o que pode ser feito de maneira diferente.



