O jurista Marcelo Uchôa cobra uma reação imediata do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, diante do agravamento da crise entre integrantes da Corte e o comando da Polícia Federal. A manifestação foi publicada nesta terça-feira (8).
O alerta ocorre após o ministro André Mendonça determinar o afastamento cautelar do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência Policial, Leandro Almada da Costa. Uchôa afirma que o impasse pode afetar o equilíbrio democrático, o Estado de Direito e o funcionamento das instituições.
“A crise no STF está gradativamente aumentando, à vista de todos, a um grau que pode contaminar o processo eleitoral, a governabilidade, enfim, as demais instituições do país”, declarou o jurista. Ele também disse que, sem uma atuação de Fachin como presidente da Corte, “amanhã poderá ser tarde demais”.
Decisão de André Mendonça
A ordem foi proferida na Petição 16.662, após o Partido Novo apresentar um pedido de providências no STF. A Informação de Polícia Judiciária (IPJ-A nº 3298613/2026) apontou citações nominais a Andrei Rodrigues em diálogos apreendidos no telefone do empresário Daniel Bueno Vorcaro.
O partido pediu a prisão preventiva do diretor-geral da PF por suposto envolvimento em crimes de embaraço a investigações contra organização criminosa, corrupção passiva e advocacia administrativa. Mendonça determinou o afastamento preventivo dos dirigentes com base no artigo 319, VI, do Código de Processo Penal e na legislação das carreiras da Polícia Federal.
O ministro também proibiu a produção ou o compartilhamento de novos relatórios de inteligência sobre atos de magistrados, advogados públicos e policiais federais. Determinou ainda que a Corregedoria-Geral da PF instaure inquéritos penal e administrativo-disciplinar.
Mendonça afirmou que os relatórios analisados envolviam ações de “monitoramento e coleta dirigida” contra sua atuação judicante e contra o advogado-geral da União, Jorge Messias. O material veio a público após a divulgação de seis relatórios pelo ministro Alexandre de Moraes no Inquérito 4.781, conhecido como Inquérito das Fake News.
Com o afastamento da cúpula, o diretor-executivo da PF, delegado William Marcel Murad, assumiu interinamente a gestão da corporação. A liminar aguarda julgamento no plenário virtual extraordinário da Segunda Turma do STF.



