A jornalista Miriam Leitão avalia que a crise entre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e a Polícia Federal pode beneficiar Daniel Vorcaro e ampliar a desconfiança nas instituições democráticas. A análise foi publicada neste domingo (6).
Para Miriam, o presidente do STF, Luiz Edson Fachin, precisa administrar o que considera a maior crise recente da Corte e evitar que os conflitos internos comprometam a democracia. Ela afirma que Alexandre de Moraes tentou recorrer ao inquérito das fake news contra André Mendonça e que Mendonça teria ultrapassado suas atribuições ao interferir em investigações da Polícia Federal.
Questionamentos sobre investigações
A jornalista sustenta que eventuais excessos na condução das apurações podem levar a contestações judiciais e afetar a validade de atos anteriores. Na avaliação dela, Vorcaro pode explorar as divergências entre integrantes do Judiciário e a cúpula da Polícia Federal para questionar os procedimentos do caso.
Miriam interpreta o depoimento de Vorcaro no gabinete de Mendonça como parte de uma estratégia de defesa. Ela também contesta acusações contra o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e afirma que as alegações podem enfraquecer a atuação da corporação.
Sobre uma eventual delação premiada, a jornalista diz que o acordo deveria ser discutido apenas depois de esclarecimentos sobre o destino dos recursos investigados. “onde está o dinheiro, quando e como você vai devolver?”, escreve Miriam ao resumir as perguntas que, segundo ela, deveriam orientar qualquer negociação. A ausência dessas respostas, afirma, ajuda a explicar por que a colaboração não avançou na Polícia Federal nem no Ministério Público.
A colunista também menciona as relações de Vorcaro com autoridades. Para ela, o contato não configura irregularidade por si só, mas é necessário esclarecer o conteúdo e os interesses envolvidos. Entre os pontos citados estão um contrato entre Vorcaro e um escritório ligado à família de Alexandre de Moraes, além de diálogos incluídos em relatório da Polícia Federal e posteriormente divulgado por André Mendonça.
Miriam afirma que nenhum ministro deve ser protegido de investigações, mas que as apurações não podem ser seletivas nem usadas em disputas dentro do sistema de Justiça. Ela também cobra esclarecimentos do senador Flávio Bolsonaro sobre recursos recebidos e sua destinação, contestando a ideia de que os valores ligados a Vorcaro sejam exclusivamente privados. A jornalista menciona prejuízos atribuídos a fundos de pensão e ao Banco de Brasília (BRB).
Ao comentar a atuação da Polícia Federal antes da prisão de Vorcaro, Miriam reproduz o relato de uma autoridade que defendeu Andrei Rodrigues: “Eu sei o que ele fez para não deixar o cara escapar naquela noite”.
Na conclusão, a jornalista afirma que Fachin ocupa posição central para conter o desgaste do Supremo. Para ela, Moraes não deve ser protegido de questionamentos, enquanto Mendonça não pode conduzir sua relatoria de forma seletiva. A preservação da democracia, diz Miriam, deve ser o principal objetivo diante dos conflitos entre o Judiciário e as instituições de investigação.



