A decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), de afastar o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, aumenta a pressão política sobre o Senado. Líderes da Casa avaliam, porém, que Davi Alcolumbre deve manter represados os pedidos de impeachment contra ministros do Supremo ao menos até as eleições.
Como presidente do Senado, Alcolumbre é responsável por decidir sobre o andamento dessas solicitações. A avaliação predominante entre os senadores é que ele não pretende levar o confronto entre Legislativo e Judiciário ao plenário antes do primeiro turno. Procurado, o presidente do Senado não se manifestou.
Decisão de Mendonça
Além de afastar Andrei Rodrigues, Mendonça determinou que a Corregedoria da Polícia Federal abra procedimentos penal e administrativo-disciplinar para apurar a atuação do diretor-geral. O ministro também afastou Leandro Almada da Diretoria de Inteligência Policial.
Mendonça afirmou que as medidas permitem que integrantes do STF, o advogado-geral da União, Jorge Messias, e servidores da Polícia Federal exerçam suas funções “sem constrangimentos ilegais”. A decisão ocorre após dias de confronto com o ministro Alexandre de Moraes, que pediu a investigação de Mendonça por supostos crimes na condução de inquéritos sob sua relatoria.
No fim de semana, Alcolumbre se reuniu com líderes do Senado em Brasília antes do desfile de 7 de Setembro, no qual esteve ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Nessas conversas, indicou que não pretendia pautar medidas contra ministros do Supremo antes das eleições.
Pressão no Senado
O líder do PL, Carlos Portinho, defendeu que Alcolumbre dê andamento ao pedido de impeachment de Moraes, que, segundo ele, tem apoio de mais de 41 senadores. “Não abrir o processo de impeachment que tem mais de 41 apoios de senadores é o mais sintomático”, afirmou.
O presidente da Comissão de Constituição e Justiça, Otto Alencar, disse que o caso deve ser tratado no Judiciário e que a decisão não muda a situação do Congresso. Para ele, o episódio ainda precisa passar pelo plenário do Supremo.
Hamilton Mourão também classificou o caso como judicial, embora tenha defendido Mendonça e feito acusações contra a direção da Polícia Federal. Damares Alves, aliada de Alcolumbre, apoiou o afastamento de Andrei. No governo, a reação foi oposta, com críticas à aproximação de Mendonça com o campo ligado a Jair Bolsonaro.
A avaliação dos líderes é que a decisão eleva a tensão, mas não altera o cálculo de Alcolumbre. A tendência é que os pedidos continuem sem avanço para evitar que a crise no STF se transforme em disputa aberta no Senado antes das eleições.



