Ao menos quatro pessoas morreram e 20 ficaram feridas neste domingo (6) em ataques aéreos israelenses contra localidades do sul do Líbano. Os bombardeios atingiram Nabatieh, Arab Salim, Nabatieh al-Fawqa e Kfar Reman, conforme dados da Agência Nacional de Notícias do Líbano (NNA) e do Ministério da Saúde libanês.
Em Arab Salim, duas mulheres morreram e seis pessoas ficaram feridas. A NNA informou que Israel havia ordenado anteriormente a saída de moradores de um edifício na cidade. Em Nabatieh al-Fawqa, o Ministério da Saúde registrou mais duas mortes.
Os ataques também destruíram um edifício histórico em Nabatieh, pertencente ao irmão de um integrante do Parlamento libanês, além de danificarem construções próximas. Em Kfar Reman, uma residência ligada ao falecido ex-prefeito foi destruída. Cinco pessoas foram atendidas em hospitais de Nabatieh e liberadas depois.
Parte do Jardim Sayyida Masouma também foi destruída em um novo ataque. O parque municipal já havia sido atingido por um bombardeio no dia anterior.
Israel afirma que a ofensiva responde ao lançamento de dois drones pelo Hezbollah contra suas tropas no sul do Líbano. O governo israelense classificou a ação do grupo como uma “violação flagrante”.
Hostilidades continuam
Os ataques ocorrem durante a continuidade dos confrontos entre Israel e Hezbollah. Desde março, quando o grupo libanês atacou Israel durante a guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, as forças israelenses realizam bombardeios em diferentes regiões do Líbano e avançam por terra no país.
O governo libanês informa que mais de 4.300 pessoas morreram nessa fase do conflito. Forças israelenses permanecem em uma área que Israel chama de “zona de segurança”, com aproximadamente 10 quilômetros de profundidade em território libanês.
A intensidade das operações diminuiu após um memorando de entendimento entre Estados Unidos e Irã, firmado em junho, e um acordo-quadro assinado por Israel e Líbano no fim daquele mês. Ainda assim, autoridades libanesas registram ataques aéreos, bombardeios de artilharia e demolições de construções civis no sul do país.
Na sexta-feira (4), ataques israelenses no sul e no leste do Líbano deixaram quatro mortos, incluindo uma jovem de 18 anos. Israel disse que atingiu posições do Hezbollah em resposta ao lançamento de um drone contra seus soldados.
Israel avalia recuo de tropas
Israel anunciou nesta semana ter assumido o “controle operacional” da cordilheira de Ali al-Taher, perto de Nabatieh. O Hezbollah não comentou a declaração.
O governo israelense também analisa reposicionar tropas atualmente presentes em áreas libanesas. A proposta prevê um recuo de três a quatro quilômetros em direção à fronteira com Israel e a criação de uma área de posicionamento chamada “Linha Cinza”.
A mudança retiraria soldados de trechos da “Linha Amarela”, que se estende ao norte do rio Litani. O plano ainda não foi aprovado pela liderança política israelense, e não há definição sobre a transferência das áreas desocupadas para o Exército libanês.
O Hezbollah condenou a ofensiva e acusou Israel de agir sob “silêncio internacional completo e à flagrante cumplicidade americana”. O grupo também reiterou oposição às “negociações diretas infrutíferas” conduzidas pelo governo libanês com Israel.
No sábado (5), o primeiro-ministro e ministro das Relações Exteriores do Catar, Sheikh Mohammed bin Abdulrahman bin Jassim Al Thani, conversou por telefone com o primeiro-ministro libanês, Nawaf Salam. O Ministério das Relações Exteriores do Catar afirma que Doha atua diplomaticamente para reduzir as tensões entre Israel e Líbano.



