O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, avalia apresentar, como pessoa física, uma ação na Justiça cível contra o ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça. O objetivo seria pedir indenização por danos morais após a inclusão do nome de Rodrigues em um relatório ligado ao caso Master.
O documento examina mensagens encontradas no celular do empresário Daniel Vorcaro e foi solicitado por Mendonça, relator do caso no STF. Além de Rodrigues, o material menciona o ministro Alexandre de Moraes e o procurador-geral da República, Paulo Gonet.
Rodrigues ainda não decidiu quais medidas adotará. A possibilidade de recorrer à Justiça é considerada para depois que a situação esfriar. Em conversas com interlocutores e aliados, o diretor-geral manifesta indignação com a presença de seu nome no relatório e afirma que o relator o jogou “na lama”. Ele também classifica o episódio como uma “barbárie”.
Apoio dentro e fora do governo
A crise também provoca insatisfação de Rodrigues com a falta de respaldo institucional do Ministério da Justiça e da Advocacia-Geral da União. Aliados do diretor-geral criticam o advogado-geral da União, Jorge Messias, a quem atribuem “covardia”, e apontam inação do ministro da Justiça, Wellington César.
Wellington César é o superior hierárquico direto de Rodrigues, mas não presta apoio ao diretor-geral durante o desgaste provocado pelas citações no relatório.
Em contrapartida, Rodrigues recebe ligações telefônicas de solidariedade de dois ex-ministros da Justiça: Flávio Dino, atualmente ministro do STF, e Ricardo Lewandowski, ministro aposentado do Supremo. O episódio abre um embate institucional no âmbito da Suprema Corte, enquanto o chefe da PF mantém em avaliação as providências que pretende tomar.



