BELGRADO — Uma multidão acompanha nesta segunda-feira, 7, o funeral de Ratko Mladic, ex-chefe militar dos sérvios da Bósnia condenado por genocídio, crimes de guerra e crimes contra a humanidade. As homenagens ao criminoso de guerra provocam indignação da comunidade internacional.
Simpatizantes se reúnem desde as primeiras horas da manhã na igreja ortodoxa de São Lucas. Alguns beijam o caixão fechado, guardado por militares, enquanto sacerdotes sérvios recitam orações. A polícia fecha as ruas próximas devido ao número de pessoas, entre elas veteranos sérvios do conflito da década de 1990.
Bandeiras sérvias são penduradas nas imediações. Uma faixa estendida sobre a rua chama Mladic de herói e afirma: “Bem-vindo, general. Obrigado à sua mãe por ter dado à luz a um herói, para que a glória da Grande Sérvia possa retornar”. O corpo permanece exposto na igreja durante cinco horas, antes de uma cerimônia e de um cortejo até um cemitério próximo.
Reação europeia
Um porta-voz da União Europeia declara que a “glorificação de criminosos de guerra, negacionistas do genocídio ou revisionistas contradiz os valores europeus mais fundamentais e não tem espaço na UE ou em países candidatos” à adesão ao bloco.
A comissária europeia para a ampliação da UE, Marta Kos, cancela uma visita à Sérvia prevista para 9 de setembro. Ela afirma que “a glorificação em torno da morte” de Mladic é incompatível com os valores sobre os quais a UE foi construída.
Mladic morre em 27 de agosto, aos 84 anos, em Haia, na Holanda. Ele comandou as forças sérvias da Bósnia durante a guerra de 1992-1995 e é condenado em 2017 à prisão perpétua pelo Tribunal Penal Internacional para a ex-Iugoslávia. O veredicto é confirmado em apelação em 2021.
Crimes na guerra da Bósnia
Conhecido como “açougueiro da Bósnia”, Mladic tem papel central no cerco de Sarajevo e no massacre de Srebrenica. O cerco dura 1.425 dias, entre 1992 e 1996, e mata mais de 11 mil pessoas, 85% delas civis.
Em Srebrenica, mais de 8 mil homens e meninos bósnios são assassinados em julho de 1995. O enclave muçulmano havia sido declarado zona segura pelas Nações Unidas e protegido por forças de paz holandesas.
Mladic é detido em 2011, em Lazarevo, na Sérvia, depois de passar 16 anos foragido. Durante a guerra dos Bálcãs, ele forma o trio militar e político ligado ao então presidente iugoslavo Slobodan Milosevic e ao líder dos sérvios da Bósnia, Radovan Karadzic.



