A Jaguar Land Rover iniciou um programa de redução de pessoal que pode eliminar até 4 mil postos de trabalho no Reino Unido nos próximos dois anos. A montadora confirmou a abertura de um plano de demissão voluntária para funcionários assalariados e integrantes da administração, mas não oficializou o total de vagas que poderão ser cortadas.
A empresa informou que “precisa se adaptar às condições em constante evolução do mercado global”. O objetivo é reduzir as despesas em aproximadamente 1,7 bilhão de libras, cerca de US$ 2,3 bilhões, no período. O plano também prevê diminuir o ponto de equilíbrio anual para 300 mil veículos, em resposta à queda da demanda e às mudanças no setor automobilístico.
Pressão sobre resultados e mercado dos EUA
As tarifas aplicadas pelos Estados Unidos a veículos produzidos no Reino Unido estão entre os fatores que pressionam a companhia. Embora Londres tenha conseguido uma alíquota de 10%, a cobrança encarece os automóveis britânicos no mercado americano, que é o maior da Jaguar Land Rover.
A empresa também enfrenta os efeitos de um ataque cibernético ocorrido no ano passado, que interrompeu a produção durante várias semanas. No trimestre encerrado em junho, a receita caiu quase 10%. O lucro antes dos impostos recuou mais de dois terços, para 109 milhões de libras, aproximadamente US$ 147 milhões.
A Jaguar Land Rover emprega cerca de 34 mil pessoas diretamente em instalações nas regiões de West Midlands e Merseyside. A atividade da montadora sustenta aproximadamente 120 mil empregos na cadeia de fornecedores do setor automotivo britânico.
Cortes na indústria europeia
A reestruturação ocorre em meio à retração da indústria automobilística europeia, marcada por demanda fraca, custos maiores e avanço das fabricantes chinesas. A Volkswagen aprovou mais 50 mil cortes até 2030, elevando para aproximadamente 100 mil o total global planejado. A Porsche, subsidiária do grupo alemão, deverá eliminar outras 5 mil posições até 2035.
O diretor-executivo da Jaguar Land Rover, PB Balaji, enfrenta pressão da Tata Motors, proprietária da montadora, para reduzir custos e recuperar a rentabilidade. Na Volkswagen, o CEO Oliver Blume também citou as tarifas americanas e a concorrência chinesa como fatores que reduzem a competitividade europeia.



