O afastamento de Andrei Passos Rodrigues do comando da Polícia Federal divide delegados da corporação. Uma ala ligada ao diretor-geral avalia entregar cargos em protesto à decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que destituiu Andrei.
Os superintendentes Fábio Galvão, do Rio de Janeiro, e Carlos Henrique Cotta Dangelo, de Mato Grosso do Sul, estão entre os que se manifestaram com mais intensidade em grupos de delegados. A maioria, porém, prefere não se pronunciar publicamente.
Parte dos superintendentes e delegados também não demonstra interesse em repetir a nota conjunta divulgada no mês passado em defesa de Andrei. O documento foi publicado durante a tensão entre a Polícia Federal e o gabinete de André Mendonça, em meio a divergências sobre a condução de inquéritos criminais sensíveis e de grande impacto eleitoral.
Disputa interna
A Associação dos Delegados de Polícia Federal (ADPF) ainda não se posicionou sobre o afastamento. O presidente da entidade, Edvanir Paiva, faz oposição a Andrei. As divergências entre os dois envolvem questões corporativas e políticas internas.
A decisão de André Mendonça cita declarações de Paiva para sustentar o afastamento do diretor-geral, sob suspeita de que ele tenha vazado relatórios de inteligência internos para o ministro Alexandre de Moraes. Moraes usa os documentos para pedir a investigação de Mendonça por abuso de autoridade.
Os relatórios, em regra de circulação interna, são mencionados em manifestações de Paiva transcritas na decisão. O presidente da ADPF alerta para possíveis irregularidades no uso desses documentos em processos criminais.
William Marcel Murad, diretor-executivo da Polícia Federal e segundo na hierarquia, assume interinamente o comando. A corrente contrária a Andrei considera Murad um nome técnico e avalia que ele deve evitar o aprofundamento de conflitos com o STF. Nesta terça-feira, 8, Murad afirma ter “total confiança” na gestão do colega.



