O advogado-geral da União, Jorge Messias, não vai recorrer das decisões do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, que impuseram restrições à condução da operação Sem Desconto. A investigação apura o desvio de aposentadorias e pensões do INSS.
O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, pediu no fim de julho que a Advocacia-Geral da União contestasse judicialmente as medidas. Entre elas está a proibição de que policiais envolvidos compartilhem detalhes sigilosos do caso com o comandante da corporação. O pedido continua sem resposta formal, mas Messias decidiu não atuar no processo.
Tentativa de mediação
A avaliação de Messias é que uma ação da AGU poderia ser usada por advogados de investigados para alegar interferência nas apurações e pedir a anulação do trabalho realizado até agora. O risco, segundo essa avaliação, aumentou após o relatório apresentado na última quinta-feira, 3, por Alexandre de Moraes, que apontou possíveis crimes de responsabilidade de Mendonça nos inquéritos sob relatoria do ministro.
Antes da divulgação, na última terça-feira, 1º, de mensagens nas quais o banqueiro Daniel Vorcaro pediu a Moraes que Rodrigues o protegesse, Messias tentou organizar uma conversa entre o chefe da PF e Mendonça. Em reunião no início de agosto com Mendonça e o ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, houve concordância para o encontro.
A articulação não avançou. Uma nota assinada pelos 27 superintendentes regionais da PF defendeu Rodrigues e afirmou que a corporação “não se submete a interesses políticos, ideológicos ou pessoais”. Luiz Inácio Lula da Silva também orientou Rodrigues a procurar Mendonça. De acordo com pessoas envolvidas na tentativa de aproximação, o diretor-geral não foi ao encontro previsto e saiu de férias naquela semana.
Rodrigues afirma a interlocutores que cumpriu sua parte ao solicitar a intervenção da AGU e continua aguardando uma manifestação de Messias. Mendonça interpretou o pedido como uma tentativa de afastá-lo da relatoria dos inquéritos do INSS e do caso Master. A conversa entre os dois, portanto, permanece apenas como possibilidade não concretizada.



