O governo federal prevê destinar R$ 6 bilhões aos Correios em 2027 e trata o repasse como uma medida pontual. A expectativa é que a estatal avance na recuperação financeira e deixe de depender de novos recursos do Tesouro Nacional depois desse aporte, afirmou o ministro da Fazenda, Dario Durigan.
O valor está incluído no Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) do próximo ano. A continuidade da recuperação dependerá dos resultados obtidos pela empresa nos próximos anos, segundo o ministro.
Recursos e plano de recuperação
O plano de recuperação dos Correios começou em dezembro de 2025. Além de reforçar o caixa, o dinheiro deve apoiar a manutenção das operações, a negociação com fornecedores e clientes e a execução das medidas de reorganização financeira.
A previsão também está ligada ao acordo de financiamento firmado no fim de 2025. Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Bradesco, Itaú e Santander concederam R$ 12 bilhões em empréstimos à estatal. A previsão de recursos da União fez parte das condições da operação.
O governo afirma que a recuperação depende de medidas de gestão, e não apenas da transferência de dinheiro público. A nova administração dos Correios terá de melhorar a eficiência, ampliar investimentos em tecnologia e buscar novas áreas de atuação.
Durigan também citou a possibilidade de parcerias com bancos e com a iniciativa privada para investimentos específicos. A estratégia considera as mudanças no mercado de logística e entregas provocadas pela expansão do comércio eletrônico.
Acompanhamento do TCU
Os Correios mantêm um Plano Estratégico para o período de 2026 a 2030, com previsão de adaptação às transformações tecnológicas e econômicas do setor e de busca por maior eficiência operacional.
A situação financeira da empresa é acompanhada pelo Tribunal de Contas da União (TCU). Em relatório divulgado em junho, o órgão apontou riscos fiscais, orçamentários e de liquidez, além da possibilidade de dependência de recursos do Tesouro. O tribunal também identificou fragilidades nas premissas econômico-financeiras do plano e nos mecanismos de acompanhamento da execução.
No primeiro semestre de 2026, os custos com serviços ficaram 14% abaixo do orçamento, e as despesas com pessoal caíram cerca de 4%. Parte do resultado foi atribuída ao Programa de Demissão Voluntária (PDV).



