A campanha de Luiz Inácio Lula da Silva enfrenta apreensão diante da falta de crescimento nas pesquisas de intenção de voto. Aliados esperavam que o presidente ganhasse força ao longo do ano eleitoral, impulsionado por medidas do governo e pelo uso da estrutura pública, mas esse avanço não ocorreu.
Em 2022, Lula derrotou Jair Bolsonaro por uma diferença de 1,8 ponto percentual, equivalente a 2,1 milhões de votos. Agora, integrantes do governo avaliam que a disputa pode repetir o nível de competitividade daquele pleito, mas sem a melhora de popularidade normalmente esperada de presidentes que buscam a reeleição.
Avaliação do governo
Em dezembro do ano passado, a gestão de Lula era considerada ruim ou péssima por 37% dos entrevistados e ótima ou boa por 32%, conforme o Datafolha. No levantamento mais recente citado, a avaliação negativa chega a 41%, enquanto a positiva fica em 33%.
O desempenho contrasta com o de Jair Bolsonaro antes da eleição de 2022. Em dezembro de 2021, o governo dele tinha 53% de avaliações ruins ou péssimas e 22% de ótimas ou boas. Antes do primeiro turno, os índices haviam chegado a 39% e 38%, respectivamente. A avaliação positiva subiu 16 pontos percentuais, enquanto a negativa recuou catorze.
Lula já anunciou medidas estimadas em mais de 200 bilhões de reais, mas o resultado político esperado não apareceu. Uma nova renegociação das dívidas das famílias teve efeito positivo, porém passageiro. Reclamações sobre o custo de vida, suspeitas envolvendo Fábio Luís da Silva, o Lulinha, e a criminalidade voltaram a ocupar espaço no debate.
Assessores e aliados dizem que o presidente perdeu capacidade de mobilização e tem dificuldade para transformar iniciativas do governo em temas de repercussão positiva. No entorno da campanha, também aparece a avaliação de que sua imagem está desgastada após três mandatos e de que parte do eleitorado se cansou de sua presença política.
Com a hipótese de vitória no primeiro turno cada vez mais distante, governistas passaram a considerar com maior frequência uma derrota na segunda rodada. A preocupação é parcialmente reduzida pelas pesquisas atuais, que apontam Flávio Bolsonaro como possível adversário de Lula no segundo turno, também enfrentando rejeição elevada e falta de propostas, conforme a avaliação apresentada no texto.



