SÃO PAULO — A equipe jurídica da campanha presidencial do senador Flávio Bolsonaro orienta o candidato a evitar acusações de crimes ou corrupção durante o discurso previsto para um ato na avenida Paulista. Os advogados também recomendam que ele não faça ataques ou piadas relacionados à raça ou à religião, nem defenda ruptura institucional ou medidas que impeçam o funcionamento dos Poderes.
As orientações não impedem críticas políticas firmes ao Supremo Tribunal Federal (STF), ao Congresso, ao governo e a outras instituições. A recomendação é que essas manifestações sejam apresentadas dentro dos limites constitucionais e acompanhadas da defesa de mudanças por meios democráticos.
Parte da equipe jurídica acompanha a manifestação na Paulista. A presença ocorre diante da preocupação com o conteúdo das declarações do senador durante o evento. Dentro das orientações, Flávio pode questionar decisões de ministros, autoridades e instituições, desde que eventuais mudanças sejam defendidas por mecanismos previstos na Constituição.
Críticas ao STF
A estratégia para o pronunciamento combina críticas a decisões de ministros e autoridades com propostas legislativas. Flávio também deve sustentar uma posição que passou a adotar sobre democracia e Supremo: segundo sua própria visão, a defesa da Corte passa pela saída do ministro Alexandre de Moraes do STF.
A orientação jurídica é que os ataques a ministros, autoridades e instituições permaneçam no campo político. O senador também deve apresentar propostas de campanha e defender alterações nas leis por instrumentos constitucionais e democráticos.
O cuidado com declarações sobre raça e religião ocorre após Jair Bolsonaro ser denunciado no STF, em 2018, por declarações consideradas racistas durante um evento no Clube Hebraica, em São Paulo. A recomendação a Flávio é evitar esse tipo de conteúdo mesmo em tom de brincadeira.



