SÃO PAULO — Conversas entre Daniel Vorcaro e o cunhado Fabiano Zettel, extraídas pela Polícia Federal, revelam cobranças, dívidas e orientações sobre pagamentos antes da liquidação do conglomerado Master e da prisão do ex-dono do banco.
O material se tornou público após o ministro André Mendonça, relator do caso Master no Supremo Tribunal Federal (STF), retirar o sigilo de parte dos documentos. Nas mensagens, Zettel consulta Vorcaro sobre quais despesas deveriam ser pagas e quais credores poderiam ficar sem receber.
Despesas e credores
Uma das listas separa os compromissos entre os que faziam cobranças e os que não eram pagos. Entre os credores mencionados está Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como Sicário, apontado nas conversas como líder do núcleo clandestino de intimidação. Ele teria recebido ao menos 24 milhões de reais de Vorcaro.
As tabelas enviadas por Zettel registram despesas mensais ao longo de 2025. Entre elas estão quase 2,5 milhões de reais em impostos atrasados, 6 milhões de reais para a reforma de um apartamento de Vorcaro nos Jardins, em São Paulo, e 5 milhões de reais relacionados a um dos jatinhos privados do grupo.
Também aparecem 20 milhões de reais destinados à marca de produtos de bem-estar Desinchá, outros 20 milhões de reais para a rede de lojas de açaí OakBerry e 45 milhões de reais em parcelas para a galeria de arte Almeida & Dale.
As mensagens ainda indicam que Fábio Faria, ex-ministro das Comunicações no governo Bolsonaro, cobrava Zettel pelo uso de um avião da frota do Master. Faria é descrito nas conversas como um negociador próximo de Vorcaro para intermediar contatos e contratos com autoridades públicas.
Outra rubrica destacada envolve repasses mensais ao escritório Barci de Moraes, da esposa do ministro Alexandre de Moraes. O relatório da Polícia Federal não informa quais cobranças foram pagas antes da liquidação do banco, em novembro de 2025, nem quais ficaram entre os créditos a receber.



