RIO DE JANEIRO — A Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro (PCERJ) conclui e encaminha ao Ministério Público o inquérito sobre a morte do ciclista Cláudio Rafael Landeiro Moreira, espancado em 12 de agosto, em Copacabana, na Zona Sul do Rio. Treze pessoas são indiciadas no relatório final da 12ª Delegacia de Polícia (Copacabana).
A investigação aponta que as agressões duraram mais de seis minutos e começaram após uma falsa acusação de que a bicicleta de Cláudio era furtada. O veículo pertencia à irmã da vítima. Imagens do sistema de monitoramento urbano e dados de celulares apreendidos ajudam a reconstruir a dinâmica do crime.
O laudo necroscópico registra traumatismo cranioencefálico grave, hemorragia interna e lesões no baço e no rim como causas da morte. A perícia também identifica integrantes do grupo revistando os bolsos da vítima e fotografando o corpo depois do linchamento.
Davi Santos Machado, Felipe Eduardo dos Santos Silva, Ailton José da Silva, Jorge Luiz Ricardo Dias e Wellington Luiz Santos de Souza são indiciados por homicídio triplamente qualificado, por motivo fútil, meio cruel e recurso que impossibilitou a defesa da vítima. De acordo com os autos, o grupo encurrala o ciclista na escadaria de um edifício e aplica socos, chutes e mais de 30 golpes com um pedaço de madeira.
Wellington Luiz, que está foragido e tem mandado de prisão decretado, entra durante a ação e atinge a cabeça do ciclista depois de ouvir que ele seria um suposto criminoso. Dos cinco principais agressores com prisão decretada, quatro já estão custodiados.
João Cleber de Souza Santiago é indiciado por omissão de socorro. Rayane de Sousa Batista Silva responde por lesão corporal, após ser identificada repassando o porrete usado no espancamento a um dos executores. No dia posterior ao crime, Davi entrega o veículo à polícia e afirma que tentaria localizar o proprietário em redes sociais; a investigação rejeita a justificativa.
A apuração também identifica um serviço informal de vigilância na região. Coordenada por Aluísio da Silva Filho, a estrutura cobrava R$ 120 por semana de comerciantes, com pagamentos via Pix ou em espécie. Aluísio, Davi, Jorge e Antônio Marcos Pires Sudre da Silva são enquadrados por exercício ilegal da profissão. Antonia Sandra Rodrigues Ferreira, Antonio Gonçalves, Lucilene Barros e Antônio Ivan Alves Pereira são indiciados por financiar o esquema.



