A Bancada do PT na Câmara dos Deputados critica a decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determina o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência da instituição, Leandro Almada. A manifestação ocorre nesta terça-feira (8/9), em nota assinada pelo líder do partido na Câmara, deputado Pedro Uczai (PT-SC).
Os parlamentares afirmam que a medida interfere na autonomia administrativa e funcional da Polícia Federal e avança sobre atribuições do Poder Executivo. Para a bancada, embora a corporação seja um órgão permanente de Estado, sua estrutura administrativa está subordinada ao Executivo, e cabe ao presidente da República nomear o diretor-geral.
“Trata-se de uma intervenção grave e ilegal na autonomia administrativa e funcional da Polícia Federal, que invade atribuições do Poder Executivo com fins político-eleitorais”, afirma a nota.
A bancada sustenta que Mendonça, ao determinar diretamente o afastamento de Andrei Rodrigues, interfere em uma prerrogativa presidencial. O grupo também diz que um ministro do STF não deve reorganizar individualmente a cúpula de um órgão do Executivo nem definir quem pode permanecer no comando da Polícia Federal.
Investigações e questionamentos ao ministro
A nota relaciona o afastamento ao momento em que a Polícia Federal conduz investigações de grande repercussão política, entre elas as ligadas ao escândalo do Banco Master. Segundo os deputados, as apurações alcançam integrantes e pessoas próximas à família Bolsonaro, e a mudança na direção da corporação beneficia esse campo político.
A bancada também destaca que André Mendonça foi indicado ao STF por Jair Bolsonaro. Os parlamentares questionam a imparcialidade do ministro ao mencionar que ele afirmou ter sido vítima de um suposto monitoramento realizado pela Polícia Federal e usou essa circunstância como fundamento para medidas contra dirigentes da instituição.
Para o PT, a situação levanta a possibilidade de impedimento ou suspeição. “Não se pode transformar uma divergência entre um ministro e a Polícia Federal em instrumento para intervir no comando da instituição”, afirma a nota.
Apoio à reação do governo
A Bancada do PT declara apoio à iniciativa de Luiz Inácio Lula da Silva de acionar a Advocacia-Geral da União (AGU) para recorrer da decisão. Os deputados defendem que o STF reverta a medida, preserve as prerrogativas constitucionais da Presidência da República e garanta à Polícia Federal condições para continuar as investigações com independência.
Ao final, o documento relaciona a decisão ao cenário político-eleitoral de 2026 e afirma que a corporação não deve sofrer intervenção para proteger a família Bolsonaro. A bancada também diz que nenhum ministro do STF está acima da lei e do dever de imparcialidade.



