Andrei Rodrigues, diretor-geral da Polícia Federal, é afastado do cargo por decisão monocrática do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, em setembro de 2026. Delegado de carreira, ele tem mais de 20 anos de atuação na corporação e chega à direção-geral após ocupar funções em áreas de investigação, gestão e segurança de autoridades.
Natural de Pelotas, no Rio Grande do Sul, Rodrigues é graduado em Direito pela Universidade Federal de Pelotas. Também tem mestrado em Alta Gestão em Segurança Internacional pela Universidade Carlos III de Madrid, na Espanha, e pós-graduação pela Escola Superior da Magistratura Federal do Rio Grande do Sul.
Trajetória na Polícia Federal
Rodrigues chefiou a Delegacia de Repressão a Entorpecentes em Manaus, a Delegacia de Repressão a Crimes Fazendários em Porto Alegre e uma unidade da PF no Aeroporto Internacional de Brasília. Em Madri, atuou como oficial de ligação da Polícia Federal em cooperação policial internacional.
Ele também integrou a comissão responsável pelo Manual de Planejamento e Gestão de Operações da PF. Na área administrativa, foi assistente da Diretoria Executiva e chefe da Unidade de Gestão Estratégica da Diretoria de Tecnologia da Inovação.
A experiência em segurança presidencial ampliou sua projeção. Rodrigues coordenou a proteção da então candidata Dilma Rousseff durante a campanha de 2010, quando ela foi eleita presidente. Em 2022, desempenhou a mesma função na campanha de Luiz Inácio Lula da Silva e permaneceu responsável pela segurança do presidente até assumir o comando da PF.
Antes disso, foi secretário extraordinário de Segurança para Grandes Eventos, cargo criado em 2011. Nessa função, coordenou a segurança da Copa do Mundo de 2014 e dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos do Rio de Janeiro em 2016.
Comando da PF
Em 2016, Rodrigues recebeu o primeiro lugar em uma premiação da administração pública federal na área de gestão de projetos, concedida pelo Ministério da Transparência e pela Controladoria-Geral da União. Em 2018, obteve o primeiro lugar em boas práticas de gestão na categoria carreiras jurídicas, em reconhecimento oferecido pela Associação Nacional de Juízes Federais.
O nome de Rodrigues para a direção-geral da PF foi anunciado em dezembro de 2022 por Flávio Dino, então futuro ministro da Justiça. A escolha considerou sua experiência em segurança presidencial e sua trajetória na corporação. A missão apresentada era restaurar a “autoridade e a legalidade das polícias”.
Rodrigues iniciou a gestão em janeiro de 2023. Durante o período, a PF realizou operações como Overclean, sobre suspeitas de desvios de recursos públicos, fraudes em licitações, corrupção e lavagem de dinheiro; Sem Desconto, sobre fraudes no INSS; e Compliance Zero, relacionada ao caso Banco Master.
A Operação Carbono Oculto investigou a atuação do PCC e de outras organizações criminosas na Faria Lima. Em 2025, a PF retirou cerca de R$ 10 bilhões do crime organizado. No mesmo período anual citado pela corporação, foram realizadas 3.800 operações, com 42 mil pessoas indiciadas e mais de 9 mil prisões em flagrante.



