A decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), de afastar o diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, amplia a tensão entre o governo, a Corte e pré-candidatos à Presidência. A medida ocorre após uma ação do Partido Novo, motivada por um suposto monitoramento contra o magistrado.
A Segunda Turma do STF formou maioria para manter a liminar, com votos de Luiz Fux e Kassio Nunes. A análise, porém, foi suspensa depois de um pedido de vista de Gilmar Mendes. Especialistas criticam a decisão por possível violação do devido processo legal e pela ausência de parecer da Procuradoria-Geral da República (PGR).
Com o afastamento, o diretor-executivo William Murad assume interinamente o comando da PF. A cúpula da instituição colocou os cargos à disposição, enquanto Helena de Rezende passou a ser cotada para ocupar a direção em definitivo.
A Advocacia-Geral da União (AGU) avalia apresentar uma suspensão de liminar para levar o recurso diretamente ao presidente do STF, ministro Edson Fachin, sem submetê-lo ao julgamento da Segunda Turma.
Lula evita comentar decisão
Durante uma cerimônia oficial sobre unidades de conservação, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não citou a ordem do STF nem respondeu às perguntas dos jornalistas. No discurso, defendeu uma posição intermediária sobre as obras da BR-319.
Lula também se reuniu com o ministro da Justiça, Wellington César, e com o ministro da AGU, Jorge Messias, para discutir a resposta do Executivo. Marco Aurélio Carvalho, coordenador jurídico de sua campanha, recomendou recorrer à Justiça e convocar o Conselho da República antes do cumprimento da determinação.
Reação dos pré-candidatos
Flávio Bolsonaro descartou a decretação de Estado de sítio ou de defesa, relacionou os debates sobre o Conselho da República a acusações enfrentadas por seu pai e comemorou a presença de público no ato do 7 de Setembro.
Ronaldo Caiado apoiou a decisão de Mendonça e classificou o suposto rastreamento de um integrante do STF por membros da PF como crime que exige o afastamento dos envolvidos.
Renan Santos também apoiou a medida contra Andrei Rodrigues. Ele criticou as regras de reeleição, afirmou que Lula tem uma “turma” na Corte e atacou o adversário Augusto Cury.



