A deputada federal Gleisi Hoffmann (PT-PR), candidata ao Senado pelo Paraná, acusa Deltan Dallagnol (Novo) de divulgar dados fiscais e bancários do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal, em um processo público de registro de candidatura no Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR).
Os documentos foram anexados pela defesa de Dallagnol para contestar questionamentos sobre sua elegibilidade. O material havia sido obtido em uma investigação da Lava Jato em 2019 e integrava um procedimento sigiloso do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP). A investigação foi posteriormente anulada pela Justiça.
Em manifestação nas redes sociais, Gleisi afirmou que Dallagnol tenta enganar eleitores sobre sua situação eleitoral e criticou a inclusão dos documentos relacionados a Zanin. “Ele faz qualquer coisa pelo poder, ele faz qualquer coisa pela candidatura dele”, disse a deputada.
Gleisi também declarou que Dallagnol é inelegível em razão de condenação com base na Lei da Ficha Limpa e afirmou que ele deveria esperar até 2030 para voltar a disputar eleições. A deputada prestou solidariedade a Zanin e relacionou o caso a reclamações apresentadas contra integrantes da Lava Jato.
Origem dos documentos
Os dados foram obtidos em uma investigação conduzida no Rio de Janeiro. O então juiz federal Marcelo Bretas determinou, em 2019, a quebra dos sigilos de Zanin em uma apuração sobre serviços advocatícios prestados à Fecomércio-RJ. Também foram alcançados dados de Valeska Teixeira Zanin Martins, Roberto Teixeira, Larissa Teixeira e do escritório Teixeira, Martins & Advogados, referentes aos anos de 2014 a 2017.
A defesa de Zanin recorreu ao STF. A Segunda Turma do Supremo anulou as decisões de Bretas e os elementos obtidos a partir delas. O gabinete do ministro informou que não comentaria o episódio.
Em fevereiro de 2021, Zanin apresentou uma representação ao CNMP contra Dallagnol e outros 11 procuradores ligados à Lava Jato. O procedimento contra Dallagnol foi arquivado após sua saída do Ministério Público Federal, em 2021. Outros casos disciplinares também foram encerrados por diferentes motivos.
Defesa afirma que documentos eram necessários
A defesa de Dallagnol afirma que entregou cópias integrais de procedimentos do CNMP para responder às impugnações da candidatura. Os advogados dizem que o material era necessário para demonstrar que reclamações disciplinares não poderiam impedir a participação do ex-procurador na eleição.
Na quinta-feira (3), o Ministério Público Eleitoral voltou a defender a rejeição do questionamento sobre a elegibilidade e se manifestou favoravelmente ao registro da candidatura ao Senado.
A defesa nega que tenha pretendido tornar públicas as informações de Zanin. Dallagnol tenta retornar à vida eleitoral após o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) cassar seu mandato de deputado federal em 2023.



