A crise interna no Supremo Tribunal Federal (STF) aumentou a resistência à possível indicação de Jorge Messias para a vaga deixada por Luís Roberto Barroso. Aliados de Luiz Inácio Lula da Silva passaram a defender que o presidente adie a reapresentação do nome do ministro da Advocacia-Geral da União (AGU) ao Senado.
Messias é a principal opção de Lula para substituir Barroso, que se aposentou há quase um ano. O chefe da AGU foi rejeitado pelo Senado em abril, após uma articulação liderada pelo presidente da Casa, Davi Alcolumbre, com apoio de ministros do Supremo, entre eles Alexandre de Moraes.
A divulgação de mensagens de Daniel Vorcaro para Moraes e o pedido de investigação contra André Mendonça agravaram a tensão na Corte. Para integrantes do entorno presidencial, a proximidade entre Messias e Mendonça pode associar uma eventual indicação ao grupo do ministro no STF, que se opõe ao bloco formado por Moraes, Flávio Dino, Cristiano Zanin e Gilmar Mendes.
Divergências com a Polícia Federal
Um relatório de inteligência da Polícia Federal citou a atuação de Messias ao questionar a conduta de Mendonça. O documento afirma que o chefe da AGU pode ter deixado de atender a pedidos da corporação para contestar decisões em investigações sobre fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e suspeitas de tráfico de influência envolvendo Fábio Luís Lula da Silva.
A possível motivação apontada foi a preservação da “relação política” com Mendonça. Messias classificou a menção a seu nome como “vingança”. Em julho, a Polícia Federal apresentou dez pontos de discordância sobre decisões do ministro e pediu que a AGU recorresse, o que não ocorreu.
Em nota divulgada na sexta-feira (4), Messias afirmou que atuou no Supremo para atender aos pedidos da PF, mas disse não haver fundamento jurídico para o recurso pretendido. Ele também relatou ter buscado diálogo com Mendonça e com Edson Fachin para evitar o agravamento da crise institucional.
Disputa sobre a indicação
Um interlocutor presidencial defendeu que seria necessário “sacrificar” Messias agora e deixar uma eventual nova indicação para depois, caso Lula seja reeleito. Nesse cenário, ganhou espaço o nome de Ricardo Couto, governador interino do Rio de Janeiro.
Aliados de Messias, porém, afirmam que Lula continua disposto a insistir na escolha. Eles atribuem a rejeição à conjuntura política de abril e avaliam que uma recomposição entre Lula e Alcolumbre poderia abrir caminho para uma nova votação no Senado.
As investigações envolvendo Fábio Luís e o ex-chefe de gabinete Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, também preocupam aliados do presidente. Há, no entorno da campanha, a avaliação de que esses episódios dificultam a disputa eleitoral contra Flávio Bolsonaro.



